Filho do 25 de Abril

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segunda-feira, janeiro 01, 2007

960. União Europeia a 27, Euro a 13

A partir de hoje a União Europeia tem mais dois membros: Roménia e Bulgária. Não são membros com plenos direitos - devem estar à experiência - mas, de qualquer forma, são mais dois países numa União que já não funcionava bem a 15, ainda pior a 25 e vamos ver como é a 27. Não compreendo como podemos ter feito dois alargamentos sem, a priori, termos feito uma profunda reforma das instituições de forma a agilizar as decisões independentemente do número de países membros. Parece que, independentemente de sermos incapazes de reformar as instituições, que tudo tem que avançar na mesma, da mesma maneira e com a mesma velocidade que estava planeada desde início.

Nunca devia ter sido feito o alargamento a 25 sem uma reforma prévia das instituições (pode-se argumentar que foi feita mas a necessidade do tratado constitucional prova que as instituições necessitavam de reformas suplementares) e muito menos a 27, pelo menos antes dum acordo global que contorne os bloqueios que, tal como direitos adquiridos, travam o bom funcionamento da União. De qualquer forma que a Bulgária e a Roménia sejam bem vindos à União Europeia.

A Eslovénia é o mais recente membro da "eurolândia". O Tolar Esloveno dá lugar ao Euro numa fase em que as exigências para a adesão e manutenção desta moeda são cada vez mais criticadas. Ao contrário das adesões acho que a entrada de novos países na Zona Euro é importante para consolidar o mercado interno europeu. A Eslovénia vai estar mais exposta à concorrência "interna" - europeia - mas isso deve ser encarado como o móbil para os agentes económicos e instituições públicas evoluírem no sentido de acrescentar competitividade ao país. Estive recentemente na Eslovénia e fiquei com a sensação que há muito por fazer mas que há a "energia" necessária para enfrentar os desafios.

O futuro da União Europeia joga-se de forma crucial nos próximos anos. A grande questão é se o conjunto de países membros vai encontrar a forma - e a motivação - para viabilizar um projecto que considero essencial para o espaço europeu, desde que esse projecto tenha imbuído um espírito de real união de objectivos, mantendo a diversidade que faz a nossa força.

2 Comments:

  • At 5:48 da tarde, Blogger O Raio said…

    Como é óbvio a UE já deu o que tinha a dar e agora corre-se para o grande fogo de artifício final...
    Quem definiu bem o problema foi aquele correspondente da RTP em Bruxelas, um pouco desbocado, diga-se de passagem e que foi à Bulgária fazer a reportagem da adesão.
    Depois de uma entrevistas eufóricas (pobres coitados) vem o tal correspondente explicar os problemas da Bulgária. Depois de uma bonita explicação concluíu que os bulgaros vão ter de apertar o cinto...
    Como è? A Bulgaria é só um pouco mais rica do que a Roménia (que provavelmente também vai ter de apertar o cinto), é muito mais pobre do que qualquer país da UE e vai ter de apertar o cinto? Há cinto para apertar?
    É isto que é terrível, a União Europeia, embora sob uma capa muito humanista, não passa de um brutal projecto de exploração e domínio, exploração que nos está a mandar a quase todos para a miséria.
    Pior, a exploração já atingiu tais níveis que já está à descarada. Dantes quando se pediam sacrifícios havia sempre uma cenoura. Agora já se deve ter comido a cenoura, agora pedem-se sacrifícios e mais sacrifícios sem nada em troca, nem a longo prazo!
    O fim desta brutal ditadura europeia só pode ser funesto, estas bestas (não consigo arranjar termo mais suave) que nos dominam acabarão por mergulhar a Europa num imenso banho de sangue...

     
  • At 7:41 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Caro Raio,

    Antes de mais um bom ano de 2007.

    Como muito bem sabes discordo da tua posição de princípio sobre a União Europeia e também não concordo com a tua análise sobre as vantagens/ desvantagens da adesão à UE. De qualquer forma reconheço que as instituições não têm a flexibilidade necessária para dar seguimento às decisões ágeis que são necessárias tomar num contexto dum mundo globalizado e em constante mudança.

    Quanto a "apertar o cinto" isso não é uma consequência da adesão ou sequer do Euro. É uma necessidade global num mundo cada vez mais competitivo e sem margem para que o sector público gere défices monstruosos que prejudicam a competitividade fiscal. Concordo que não podemos levar a competitividade fiscal ao limite e colocar em causa o papel do Estado mas considero que ainda há uma larga margem para tornar os gastos do(s) Estado(s) mais eficientes.

    Abraço,

     

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