Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

Segunda-feira, Julho 16, 2007

1176. Cenas Memoráveis da Sétima Arte

Cenas Memoráveis da Sétima Arte - Convido todos a visitarem e participarem no meu novo espaço dedicado à Sétima Arte.

Sexta-feira, Junho 01, 2007

1175. Interregno

Há alturas em que o cansaço aparece e o prazer torna-se num dever. Sinto-me assim em relação ao blogue. É doloroso colocar um ponto final e, por isso, não o faço, vou só ali descansar, o justo sono de quem sempre tentou dizer o que pensa com frontalidade. Mesmo com três pontos que antecipam o regresso, num dia solarengo porque no meio das brumas já muitos esperam por alguém, o interregno será longo, talvez para reinventar tudo, talvez para deixar tudo na mesma, talvez para decidir que este projecto passou de vez. Aprendi muito a escrever sobre o que penso e com todos os que li, e vou continuar a ler a espaços, e interagi. A muitos o meu obrigado mas em especial aos autores dos blogues que me fizeram crescer, são muitos e julgo que os destinatários deste elogio sabem que me estou a referir a eles, mesmo que, por vezes, o calor da discussão tenha causado atritos. Quem quiser acompanhar outro projecto, sobre cinema, que não vou abandonar, pode sempre, de tempos a tempos, já que esse vai ser o ritmo da minha escrita lá, visitar-me aqui.

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1174. Falas de civilização...

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!

Alberto Caeiro

Quarta-feira, Maio 30, 2007

1173. Futebol Clube do Porto


É muito raro perder tempo a escrever sobre futebol porque prefiro apreciá-lo e não discuti-lo. Muito menos tenho vontade de escrever sobre arbitragem. Mas, como adepto dum clube, o Futebol Clube do Porto, sinto necessidade de escrever umas linhas sobre o que se passa. E o que se passa é, sobre todos os aspectos, reprovável.

Não compreendo, em primeiro lugar, porque é que o clube ou a sociedade desportiva estão tão deficitárias após algumas transferências milionárias. Também não compreendo como é que uma sociedade tão deficitária oferece prémios tão elevados aos seus dirigentes. Compreendo ainda menos porque é que o clube é cada vez mais uma base giratória para jogadores, com ou sem qualidade, que parecem durar cada vez menos tempo no clube. Também não compreendo o que impede a direcção do FCP de colocar a claque na ordem. Depois os seus dirigentes estão cada vez mais embrulhados em questões judiciais seja por suspeitas de aliciamento a árbitros (cujas gravações podem não ser suficientes para garantir uma condenação mas que elucidam uma linha de comportamento que eu reprovo) seja como suspeitos em crimes de participação económica (juntamente com o ex-Presidente da Câmara Nuno Cardoso). Neste contexto aceito muito mal a recandidatura - e reeleição - de Pinto da Costa e ainda mais a falta de coragem de alguns ao não assumirem uma alternativa.

Não estou aqui para discutir qual é o melhor clube, quem é mais favorecido pelas arbitragens e muito menos para entrar em polémicas vazias de conteúdo mas, simplesmente, para mostrar a minha indignação. As polémicas clubísticas dispenso, até porque os telhados de vidro são inúmeros. O que quero é que haja transparência e menos tolerância em relação a certas situações por parte dos sócios e dos cidadãos.

1172. Para a estatística

Eu não fiz greve.

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Segunda-feira, Maio 28, 2007

1171. 1400 votos garantidos



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1170. Desorientação no Governo?


O Expresso colocou em destaque, na capa do semanário, uma pretensa desorientação no Governo. Não concordo nem com um dos exemplos avançados pelo semanário para demonstrar a tese mas acompanho a percepção que algo não vai bem. Era inevitável que o desgaste provocado por algumas medidas começasse a afectar o Governo e que a Presidência da União Europeia (a visita à Rússia já é um prenúncio da pouca disponibilidade que o Primeiro Ministro vai ter para os assuntos internos) provocasse problemas de coordenação mas acho que o problema é bem mais profundo. Quer se queira quer não o momento chave para perceber esta perda de gás e coordenação no Governo foi o começo da polémica com a licenciatura de José Sócrates. De repente José Sócrates perdeu a iniciativa política, parece estar em mera gestão do que já reformou, deixa a sensação que abdicou da coordenação do executivo e até a convicção e ambição que a sua voz fazia transparecer parece ter desaparecido. O Governo entrou, precocemente, numa fase de mera gestão de danos.

Após três Governos que não saíram da rampa de lançamento era importante que este Governo fosse acima da média e, infelizmente, parece perder gás a uma grande velocidade. Não quero fazer futurologia mas a fase crucial vai ser a pós-Presidência da União Europeia em que uma nova dinâmica tem que ser criada e acredito que uma remodelação ampla já deve estar nos planos do Primeiro Ministro. Mas, infelizmente, mesmo com uma remodelação, julgo que a dinâmica reformadora vai desacelerar e que, a partir da Presidência da UE, as regras dos ciclos eleitorais vão começar a influenciar todas as decisões do executivo.

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1169. Paul Newman


É com nostalgia que leio esta notícia. Mas dou valor a quem sabe "sair de cena" na hora certa. Da minha parte um muito obrigado a Paul Newman pelos momentos inesquecíveis que me fez passar numa sala de cinema.

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Domingo, Maio 27, 2007

1168. Cenas Memoráveis da Sétima Arte (27): O sacrifício de Ripley







Alien 3 (1992 - David Fincher) é um regresso às origens, ao tipo de filmes que Ridley Scott idealizou (até Giger voltou a participar na concepção do Alien). É o mais negro dos três filmes mas problemas na produção impediram que o filme rivalize com o de Ridley Scott. Destaco a cena final do filme pelo seu simbolismo. Ellen Ripley (Sigourney Weaver), com uma rainha dentro de si, recusa a promessa de salvação por parte da "companhia" e sacrifica-se para tentar acabar com a espécie que a atormenta (Ripley chega a dizer ao Alien: "You've been in my life so long, I can't remember anything else"). Durante a queda em direcção à fornalha o Alien sai com violência do seu peito e, num gesto quase maternal, Ripley aconchega o recém-nascido e mantém-no junto a si rumo ao inevitável destino final. A forma gentil mas segura como Ripley trata o responsável pela sua morte nos momentos que antecedem a morte de ambos, numa cena de enorme duplicidade que mistura sentimentos de ódio e instintos maternais, é memorável.


Desafio todos os leitores deste blogue a contribuírem para esta rubrica (Cenas Memoráveis da Sétima Arte). Pode ser uma cena ou um pormenor, seja técnico ou de representação, do vosso filme favorito ou de um outro qualquer filme que, por alguma razão, emocional ou técnica, vos marcou. Basta uma pequena descrição da cena ou um pequeno apontamento que justifique a escolha, o nome do filme e, eventualmente, o vosso apelido e blogue. O mail é, como sempre, filhodo25deabril [at] gmail.com.

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Sábado, Maio 26, 2007

1167. Cenas Memoráveis da Sétima Arte (26): Ripley armada até aos dentes



Newt: My mommy always said there were no monsters - no real ones - but there are, aren't there?
Ripley: Yes, there are.
Newt: Why do they tell little kids that?
Ripley: Most of the time it's true.

Aliens (1986 - James Cameron) pouco herda de Alien (1979 - Ridley Scott). Se o filme de Ridley Scott é um filme de terror e suspense este, o de James Cameron, é um filme de acção, menos cerebral e complexo. As emoções são simples e as personagens menos ambíguas. Mas não deixa de ser um excelente filme de acção.

Destaco a cena em que Ripley (Sigourney Weaver), reinventada como heroína de acção numa antecâmara do que Cameron faria com Linda Hamilton em T2, arrisca tudo para salvar a menina (Newt - Carrie Henn) que a tinha adoptado como mãe. Armada até aos dentes Ripley entra no covil da Rainha (outra invenção de Cameron, desta vez sem o toque de Giger na construção do aspecto do Alien) e, com uma crueldade que só uma mulher consegue ter com outra mulher, resgata da influência da Rainha Newt, deixando um rastro de destruição imparável. A certa altura Ripley dispara "Get away from her, you bitch!".


Desafio todos os leitores deste blogue a contribuírem para esta rubrica (Cenas Memoráveis da Sétima Arte). Pode ser uma cena ou um pormenor, seja técnico ou de representação, do vosso filme favorito ou de um outro qualquer filme que, por alguma razão, emocional ou técnica, vos marcou. Basta uma pequena descrição da cena ou um pequeno apontamento que justifique a escolha, o nome do filme e, eventualmente, o vosso apelido e blogue. O mail é, como sempre, filhodo25deabril [at] gmail.com.

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1166. Faz hoje 30 anos que este penteado foi introduzido ao mundo


Afinal foi ontem. Espero que me perdoem pelos Parabéns atrasados.

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1165. Cenas Memoráveis da Sétima Arte (25): O Alien a sair do peito de Kane







Considero o primeiro Alien (1979 - Ridley Scott) o melhor filme de terror alguma vez feito. É um filme com uma atmosfera bem conseguida e assustadora, com personagens com densidade e ambiguidade e com um argumento criativo e cerebral. Há uma cena que quero destacar e que, da primeira vez que vi, achei arrepiante. Kane (John Hurt), após estar em coma com um Alien na sua primeira fase de gestação colado à face, acorda sem sinal do Alien. Bem disposto reúne-se com os companheiros do cargueiro Nostromo e, com apetite, devora a comida como se comesse por dois. De repente engasga-se e numa espiral de dor contorce-se até que o peito explode e o seu corpo cede repentinamente. Segue-se um silêncio que mostra a consternação na face de todos e, de dentro do seu peito, sai o Alien que contempla o seu mundo novo como se de um bebé se tratasse.

Desafio todos os leitores deste blogue a contribuírem para esta rubrica (Cenas Memoráveis da Sétima Arte). Pode ser uma cena ou um pormenor, seja técnico ou de representação, do vosso filme favorito ou de um outro qualquer filme que, por alguma razão, emocional ou técnica, vos marcou. Basta uma pequena descrição da cena ou um pequeno apontamento que justifique a escolha, o nome do filme e, eventualmente, o vosso apelido e blogue. O mail é, como sempre, filhodo25deabril [at] gmail.com.

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Sexta-feira, Maio 25, 2007

1164. Fernando Negrão e Carmona Rodrigues


Quando Marques Mendes retirou a confiança política a Carmona Rodrigues utilizou como critérios: i) a regra de demissão do autarca-arguido; ii) a ingovernabilidade da autarquia, mas nunca colocou em causa, muito pelo contrário, o homem e a prestação do autarca. Depois Carmona Rodrigues fez um finca-pé para sair e agora resolveu ser candidato. Parece que essa atitude mudou a percepção de alguns políticos do PSD sobre o homem e sobre o seu trabalho à frente da autarquia. Fernando Negrão foi mais longe e, em declarações que considero surpreendentes, acusou o ex-autarca de ter ''deixado a autarquia sem liderança durante dois anos'', de ser ''a face'' da ''desgraça do que foi a gestão camarária'' e acrescentou que ''os lisboetas saberão fazer a diferença entre o que aconteceu e o que ser quer que aconteça para a frente''. Eu, por mim, fico atónito com as cambalhotas no discurso político que se sucedem a um ritmo semanal. Pelo menos fiquei a saber que o candidato do PSD acha que o anterior Presidente da Câmara eleito pelo PSD foi uma "desgraça".

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Quarta-feira, Maio 23, 2007

1163. José Sá Fernandes e a Lei das Finanças Locais


José Sá Fernandes, em entrevista à TVI, considera que António Costa, na sua nova qualidade de candidato a Presidente da Câmara de Lisboa, tem que ser contra a Lei das Finanças Locais. Onde é que eu já ouvi isto?

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1162. Vítor Baía


Não me sentiria bem se deixasse passar em branco o momento em que Vítor Baía, o jogador com mais troféus do mundo, "pendura as luvas". Na condição de adepto do FCP mas também na qualidade de apreciador de (bom) futebol, obrigado.