Filho do 25 de Abril

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segunda-feira, janeiro 15, 2007

970. O desastre contemporâneo chamado Iraque

Hoje mais um capítulo negro da história do Iraque pós-libertação foi escrito. Mais duas execuções por enforcamento - uma delas acabou por ser um enforcamento com direito a decapitação que uns chamam de acidente e outros de "acto de Deus" - que, novamente, deixa para a história mais imagens de profundo mau gosto e, mais importante, que só serve para dividir ainda mais as facções no país. A pena de morte, estou cada vez mais convencido, não tem qualquer tipo de utilidade ou justificação.

Apetece cada vez menos escrever sobre o Iraque. Não há absolutamente nada que se consiga retirar desta história que alimente a mais pequena esperança dum mundo melhor. Não há absolutamente nada, repito, defensável nesta história do princípio até agora.

Desde o que motivou a intervenção militar passando pelos objectivos para o país e para a região até ao que se pretendia alcançar no combate à táctica de guerra chamada terrorismo nada, tenho que dar ênfase a esta palavra, nada, repito, foi confirmado ou alcançado. Tudo é relativizado - da inexistência de motivos para a intervenção até à tortura ou tratamento ilegal de prisioneiros - e nada de humano sobressai deste conflito. Tudo regride.

Será possível fazer pior?

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4 Comments:

  • At 11:01 da manhã, Anonymous Zé da Mula said…

    A Guerra do Iraque começou pela ganância norte americana, que desejava conquistar o petróleo iraquiano que lhe estava a fugir para as empresas francesas e russas. As congéneres norte americanas estavam a ficar de parte desde a 1ª. guerra do golfo.
    Assim, a pretexto de uma mentira, confirmada antes e depois da guerra, os americanos invadiram o Iraque contra a vontade da própria ONU, embora apoiados por alguns países avalizam sempre todas as decisões americanas.

    A UE não teve a coragem de opor-se e alguns dos seus países estiveram de acordo com a invasão.

    Aos iraquianos não havia oposição possível contra a única super potência do Século XXI. Foi cair-lhes milhares de bombas em cima e esperar.

    Agora a única possibilidade que lhes resta é a dos ataques terroristas que até têm tido os seus efeitos: Depois de já cerca de 30.000 iraquianos mortos e, principalmente, de 2.000 baixas nos SOLDADOS AMERICANOS, a opinião pública americana sobre a guerra no Iraque mudou e aí estão os resultados nas recentes eleições americanas que os Republicanos perderam.

    O EUA fizeram uma das grandes vergonhas da História recente: invadiram um país a pretexto de uma mentira, prenderam o seu dirigente máximo e entregaram-no aos seus inimigos para o julgarem.

    Se os americanos procurassem que fosse feita justiça, Sadam teria sido entregue ao Tribunal Internacional em Haia, para que fosse aí julgado! Mas isso era demasiado incómodo, pois a colaboração americana poderia ser associada a muitos dos crimes cometidos pelo réu. Por isso, após a sua captura, optaram por entregá-lo aos seus chiitas, seus inimigos para que o "julgassem". "Julgamento" que levou a que 3 dos seus advogados fossem assassinados, sabe-se lá por quem (nem interessa saber)? Por fim foi réu foi obviamente condenado à pena capital e executado.

    Agora põe-se outra questão: a UE é contra a pena de morte e condenou já o processo de julgamento e execução do ditador e dos outros seus colaboradores. Agora, por isso, a UE deveria ser coerente e retirar todas as suas tropas daquele país e deixar o problema a quem o criou: aos americanos.

    É preciso muito ódio e a muita coragem para praticar o suicídio, na expectativa de levar consigo para o além um soldado inimigo só que seja que seja.

    Um efeito que estes ataques terroristas tiveram foi o de fazerem recuar os EUA relativamente a outras aventuras que se perfilavam já no horizonte. A seguir preparavam já o ataque ao Irão, à Coreia do Norte ou a Síria.

     
  • At 3:35 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Zé da Mula,

    Vou só comentar alguns pontos do teu comentário.

    - A vantagem do julgamento de Saddam num tribunal internacional era óbvia mas, mesmo sendo julgado no Iraque, devia ter sido vedada a hipótese de execução. Por três razões sendo a primeira a óbvia, ou seja, a pena de morte não tem qualquer tipo de utilidade social. Mas dando por barata essa razão ainda há duas, nomeadamente, porque ia criar mais divisão já que era uma facção que estava a julgar um representante doutra facção e porque este acto impossibilita que sejam julgados - e dados a conhecer - todos os outros crimes do regime. Fica a sensação, ou certeza, que se pegou aleatoriamente num crime contra a humanidade que Saddam cometeu para o poder julgar de forma rápida e sem qualquer interesse na procura de factos;

    - A UE não está presente no conflito em larga escala com excepção de 3 ou 4 países (pelo menos Itália, Reino Unido e Polónia). Nesta fase defendo que não se pode sair do Iraque sem um mínimo de estabilização, independentemente dos erros do passado;

    - Feliz ou infelizmente não me parece que haja capacidade financeira dos EUA para grandes intervenções militares nos próximos tempos.

    Abraço,

     
  • At 5:02 da tarde, Blogger O Raio said…

    Nisto tudo a decapitação de um dos executados é um problema menor.
    Num enforcamento se a corda for demasiado pequeno o futuro executado morre ao fim de uma data de tempo e por sufocação.
    Se a corda for maior o corpo acelera com a gravidade e a morte é instatânea devido à quebra das vértebras cervicais.
    Se a corda for muito maior a velocidade que o corpo atinge pode ser tão elevado que a corda lhe corte a cabeça.
    Foi o que aconteceu. O que prova grande inépcia dos ignorantes que fizeram a execução.
    Mas isto pode ser um interessante problema de física e nada mais do que isto. O importante é a execução em si independentemente do método usado.
    E a fantochada do julgamento. Tal como a fantochada de que é um problema interno do iraque, um país com um governo sitiado e defendido por mais de 100.000 militares estrangeiros.
    Na realidade o que se passou é que Saddam sabia de mais e, se fosse realmente julgado, poderia implicar muito honesto chefe (ou ex-chefe) de estado estrangeiro.
    Foi portanto necessário cala-lo e cala-lo o mais rapidamente possível.
    Foi o que foi feito.
    Disto tudo resta-me uma curiosidade. Aquele juíz irritante que o condenou à morte, onde é que está? Já fez as necessárias operações de plástica? Já recebeu o passaporte americano?

     
  • At 2:38 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Raio,

    Como referi no texto e cada vez mais apetece repetir: Será possível fazer pior?

    Abraço,

     

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