Filho do 25 de Abril

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terça-feira, janeiro 04, 2005

(282) Balanço de 2004: Política Nacional

É difícil destacar políticos que tenham contribuído ou escapado ao pesadelo político que Portugal viveu em 2004. De qualquer forma deixo aqui algumas notas para a posteridade.

Positivo: Mário Soares e Cavaco Silva – Juntar estes dois nomes pode parecer incongruente mas é um sinal dos tempos. Quanto pior se comporta a nova geração de políticos mais estes políticos reforçam o seu papel na história. O desacerto da nova geração permite que os nossos senadores retoquem a sua imagem. Mário Soares comemorou em 2004 os seus 80 anos reforçando a sua imagem de “Pai da Democracia Portuguesa” e viu quase todos os quadrantes da vida política e civil a homenageá-lo pelo seu papel no Portugal contemporâneo. Já Cavaco Silva conseguiu voltar a impôr a sua imagem de “homem providencial” com uma gestão criteriosa de declarações que ajudaram a expulsar os “maus políticos” do poder. É inegável que este mensageiro da desgraça teve mais peso político do que Guterres em 2004, mas convém realçar que a minha memória não é curta!

Assim Assim: José Sócrates – Após a brilhante conquista do Partido Socialista numa campanha viva, deu aos portugueses um sinal de esperança. No final do ano perde grande parte do seu brilho com uma campanha cinzenta e defensiva. Portugal precisa dum Primeiro Ministro reformador, capaz de efectuar rupturas e Sócrates tarda em impôr essa marca. Aguardo o programa de Governo...

Negativo: Durão Barroso, Jorge Sampaio e Santana Lopes – Este trio é responsável pela deriva de Portugal em 2004. Durão Barroso liderou um Governo que mostrava-se incapaz de reformar e que já não tinha capacidade de regeneração. Seguiu uma política que só ele percebia prometendo resultados que ninguém via a médio prazo. Abandona o barco atirando o seu rumo para uma gaveta da história trazendo dificuldades acrescidas aos futuros historiadores pois estes vão ter dificuldade em perceber o que se estava a tentar fazer. Das duas uma, ou o rumo estava num beco e Durão sentiu que era parte do problema ou se Durão acreditava que o rumo ia trazer frutos abandonou por pura ambição pessoal. É reprovável, até porque exigiu aos Portugueses o que não exigiu para si, sacrifícios. Jorge Sampaio pensa demais até conseguir chegar à fase em que já nem ele próprio encontra o fio do seu pensamento. O modo e a forma como conduziu as sucessivas crises aliada à forma e postura que apagam a sua voz na sociedade colocam-no já na linha da frente como o pior Presidente da República do pós- 25 de Abril. Santana Lopes teve um ano em cheio. O objectivo deste político parece ser acumular cargos e não atingir resultados nos cargos que desempenha. Deixou a Câmara de Lisboa falida e em estado de sítio, clamou aos céus (e a quem o quisesse ouvir) que era candidato a candidato a Presidente da República e acaba o ano como Primeiro Ministro. O que se passou depois é inacreditável, o que só realçou a sua postura quizilenta e inconstante. Levou o Governo de Portugal a um recorde ímpar de descredibilização interna e externa!

6 Comments:

  • At 2:51 da tarde, Blogger Didas said…

    Esqueceste-te de um na primeira categoria: O Alberto João. Não há nada que belisque esse anormal.

     
  • At 7:32 da tarde, Blogger mfc said…

    A Didas tem razão.
    E o Jorginho já emendou a mão...podes passá-lo para os assim assim...

     
  • At 12:56 da manhã, Blogger O Raio said…

    Concordo com quase todo o post, excepto com o início.
    Mário Soares pode ter muitas qualidades mas não nos podemos esquecer que foi ele que nos meteu no buraco da CEE contra a opinião dos economistas da altura (dito pelo Sarsfield Cabral no programa Prós e Contras).
    Quanto a Cavaco... francamente... Cavaco foi o pior Primeiro Ministro que tivemos depois do 25 de Abril. No seu tempo (de má memória) os déficits atingiram valores recorde, espatifou-se o dinheiro que nos ía chegando da CEE, permitiram-se golpes e mais golpes, alaranjou-se toda a máquina administrativa, destruíu-se o sistema fiscal com reformas feitas sobre o joelho e totalmente incoerentes (IVA e IRS/IRC), etc., etc.
    Infelizmente tem tido, nos últimos tempos, uma campanha monstra de promoção...
    Apre, Cavaco não! Antes o Santana!

     
  • At 1:11 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Raio,

    Concordo contigo mas só estava a analisar o ano de 2004! E temos que confessar que correu bem a estes senhores...

     
  • At 12:22 da tarde, Blogger O Micróbio said…

    Não concordo com algumas das tuas classificações... Primeiro Mário Soares nunca será o "pai da democracia" enquanto se intitular como rei e senhor de toda a democracia, principalmente quando usa e abusa de tal cognome para poder acusar outro tipos de democracias com as quais Portugal tem muito a aprender. Além de que ainda está por explicar (talvez a história o faça) um célebre "pisar" a bandeira portuguesa em solo estrangeiro... uma bandeira nunca se pisa por muito contrárias que sejam as nossas posições relativamente a quem governa um país! Portanto, para mim esse senhor terá sempre nota negativa...
    Classificar de "assim assim" a figura de Sócrates é realmente demonstrar a indefinição constante de tal figura... e a indefinição, aliás como próprio tu o dizes "tarda em impôr essa marca", deve ser sempre classificada de negativa.
    Resumindo, sobra uma nota positiva: Cavaco Silva!

     
  • At 4:24 da tarde, Blogger BlueShell said…

    Cavaco Silva????....ai....
    Alguns problemas familiares têm-me impedido de retribuir as visitas que tão agradáveis me são. Está tudo do avesso na minha vida. Espero voltar a poder fazer as minhas visitas mais regularmente. Jinho, BSHell

     

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