Filho do 25 de Abril

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terça-feira, dezembro 27, 2005

678. Diário das Presidenciais 2006 (10)



"Há uma coisa que pode ser feita em Portugal, que eu sei que já foi feita noutros países. Podia existir um responsável do Governo que fizesse a lista de todas as empresas estrangeiras em Portugal e, de vez em quando, fosse falar com cada uma delas para tentar indagar sobre problemas com que se deparam e para antecipar algum desejo dessas empresas se irem embora, para assim o Governo tentar ajudá-las a inverter essas motivações"

"Tem de ser um acompanhamento com algum pormenor que deveria ser feito por um secretário de Estado especialmente dedicado a essa tarefa"

"a primeira tarefa que gostaria de realizar [caso seja eleito Presidente] era uma conversa longa com o primeiro-ministro"

Cavaco Silva


Eu não quero cair no exagero - que Soares caíu - de esvaziar completamente os poderes presidenciais só para provar que este tipo de discurso - o acima transcrito - não é o tipo de discurso que um Presidente da República - ou um candidato ao cargo - deva ter! Mas julgo não ser exagerado da minha parte sublinhar que esta crescente tendência de Cavaco em imiscuir-se nos assuntos executivos do Governo - e agora na sua própria orgânica - não é de todo saudável!

Não vou fazer o mesmo que Cavaco Silva faz com regularidade e anunciar desgraças para o país caso este ou aquele candidato seja eleito - ou no caso dele que não seja eleito ("pensem nos vossos filhos"; "Como vamos assegurar o pagamento de pensões?") - mas digo com veemência que este tipo de discurso em nada ajuda o país e a sua estabilidade institucional. Imaginem que o Primeiro Ministro resolve não aceitar a sugestão e, nesse cenário, escusado será dizer que alguém fica descredibilizado. Mesmo se aceitar a sugestão não me parece saudável ter uma Secretaria de Estado onde - independentemente dos seus resultados - haja um constrangimento em extinguir a própria de modo a não causar problemas institucionais.

Cada vez fico mais confuso em constatar que há tantos cidadãos a achar que Cavaco tem o perfil e a abordagem correcta para o cargo de Presidente da República!

6 Comments:

  • At 8:24 da tarde, Blogger Luisa said…

    A minha dúvida é: precisamos nós dum Presidente da República, afinal sem poderes?

     
  • At 8:42 da tarde, Blogger H. Sousa said…

    Pode não ter poderes, mas tem direitos de sobra. Tem o direito de viajar mais, de acumular o vencimento com as reformas, etc..

     
  • At 9:31 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Luísa,

    "Nós" optamos por um regime semi presidencial com preponderância parlamentar. Pessoalmente não quero modificações porque, duma forma ou de outra, o regime tem conseguido equilibrar-se. O Presidente da República tem a importância que tem, conforme os poderes constitucionais e o perfil do homem por detrás do cargo, que eu considero que estão equilibrados porque não causam instabilidade desnecessária e há capacidade para intervir quando as instituições não funcionam.

    Um beijo e obrigado pela visita,

     
  • At 9:32 da tarde, Blogger Ricardo said…

    TNT,

    Qualquer um dos candidatos - pelo menos os três principais - vão concerteza perder rendimentos ao ganharem a eleição. E não considero exagerados - até pelo contrário - as remunerações e direitos do Presidente da República.

    Abraço,

     
  • At 9:46 da tarde, Anonymous jocamarinha@netcabopt said…

    Cuidado com a Lebre já quer nomear lugares tenentes)

     
  • At 10:39 da tarde, Blogger Fernando said…

    Convém que homem fale. Ele não tem ideias e as que tem não servem para nada. Por aí não vem ao mundo. E assim fica-se a conhecer bem o homem que está por trás daquela figura sinistra. Se os 3 candidatos "principais" inclui o Alegre, gostava de saber que rendimentos perde com o lugar. Os de deputado? Essa deu-me vontade de rir, desculpa-me.

     

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