Filho do 25 de Abril

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quarta-feira, dezembro 21, 2005

669. Diário das Presidenciais 2006 (8)



"Temos que ter uma certa paciência nestas coisas..."

" O candidato disse que o Presidente da República não tem quase nada para fazer. Deus nos livre disso! Deus nos livre disso!"

Cavaco Silva sobre Mário Soares



Soares foi incisivo? Foi!

Insultou pessoalmente o adversário? Claro que não! Por ter afirmado que este era um "economista razoável"? Ou por ter defendido que era pouco dialogante? Ou então por ter dito que não escrevia nada construtivo, que era um político de denúncias? Por este ter chamado em tempos ao Presidente da República e aos sindicatos de "forças de bloqueio"?

Por isso aconselho Cavaco a deixar de fingir que está ofendido! Insulto pessoal não é criticar frontalmente o perfil duma pessoa para o cargo mas sim o que este fez a Sampaio há 10 anos quanto às suas opções de vida.

É preciso é ter paciência para aturar tanto virtuosismo moralista encapotado...

8 Comments:

  • At 9:44 da tarde, Blogger Bruno Gonçalves said…

    Virtuosimo moralista encapotado?

    Desta vez esmeraste-te... :)

     
  • At 10:52 da tarde, Blogger Fernando said…

    Soares esteve imparável. Pode não ter ganho votos com isso, mas marcou território e colocou na linha Cavaco. Muito, muito diferente de Manuel Alegre que em minha opinião tem tido um comportamente marcadamente oportunista impróprio de um candidato de esquerda a sério. Não me convence. Soares apenas resvalou quando faz a afirmação de que Cavaco era uma pessoa mal considerada na Europa. Foi um deslize fatal, porque ou diz e concretiza ou não diz nada. Se esta afirmação fosse feita pelo Louçã, caía o Carmo e a Trindade. O problema de Soares é que lhe falta coerência politica. Mas sem dúvida prestou um grande favor a uma esquerda que se deseja activa e combativa. Louçã demonstrou,em minha opinião ser o candidato melhor preparado e com o perfil certo, por todas as razões. Seria bom que tivesse uma grande votação, mas o nosso tradicional conservadorismo impede-nos de apostar na diferença e como tal terá uns miseros 4 a 6 por cento, infelizmente.

     
  • At 12:59 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Bruno,

    Deus nos livre disso! Deus nos livre disso!

    O que irão os estrangeiros pensar disso? ehehe

    Abraço,

     
  • At 1:05 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Fernando,

    Mário Soares não esteve particularmente bem no debate. Era possível criticar e demarcar bem o seu território e, ao mesmo tempo, fazer um discurso motivador e pela positiva. Falhou nesta segunta parte.

    Mas "Deus nos livre" a todos do moralismo virtuoso e condescendente de Cavaco Silva... "Que irão dizer os estrangeiros?"

    Abraço,

     
  • At 9:37 da manhã, Blogger gonn1000 said…

    "É preciso é ter paciência para aturar tanto virtuosismo moralista encapotado..."

    Naaah, é preciso é paciência para avôzinhos que fariam melhor se ficassem a jogar às cartas no jardim em vez de andarem a fazer má figura a brincar aos políticos. E alguém que lhe diga para pôr a mão na frente quando tosse, dá mau aspecto... E, já agora, para apresentar propostas (uma que seja) em vez de andar sempre a criticar os adversários (mesmo quando diz que não volta a fazê-lo).

     
  • At 11:03 da manhã, Blogger H. Sousa said…

    Pois eu estou um pouco saturado da agressividade que todos os políticos, Soares é um dos que fomenta esse espírito, demonstram para com os adversários. Em vez de discutirem os problemas do país, enveredam pela peixeirada.

     
  • At 12:48 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Gonn1000,

    Tens toda a razão... devia colocar a mão à frente da boca enquanto tosse. Porventura o "outro" deveria fazer o mesmo enquanto come!

    Quanto a propostas deves compreender que para o cargo em questão o que é importante é o perfil. Porque não podemos prometer moderação, respeito pela constituição e diálogo com propostas concretas. O ex Presidente já exerceu dois mandatos com Presidências abertas, intervenções em vários locais e em várias formas, discursos, viagens diplomáticas e económicas ... por isso é algo vazio prometer combates ao desemprego ou à crise económica.

    Quanto a jogar cartas num banco de jardim Soares diria "Olhe que não, olhe que não!" porque não tem o autor da frase para o fazer companhia. Já Cavaco diria "Deus nos livre disso! Deus nos livre disso! O que vão pensar os estrangeiros?"

    Abraço,

     
  • At 12:51 da tarde, Blogger Ricardo said…

    TNT,

    Eu percebo que a estratégia de Manuel Alegre passe, agora, por colar a Soares a imagem de agressivo e extremista. Verifico isso no discurso de todos os seus apoiantes. Mas, face à memória colectiva, nunca conheci de Alegre outra forma de fazer política. Não o vou criticar por isso, apenas dizer que o papel de velho sábio moderado não cola ao homem. Mas não estou a fazer campanha, e se o estivesse a fazer não seria contra Alegre concerteza...

    Abraço,

     

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