Filho do 25 de Abril

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terça-feira, abril 03, 2007

1069. Investimento Público

É inegável que o Investimento Público pode ser virtuoso ou inútil. Equipar ou construir uma escola num local com massa crítica de estudantes pode significar o mesmo esforço financeiro do que construir uma rotunda com uma fonte num local sem vantagens para a segurança rodoviária, mas com resultados na economia diferentes.

O reflexo nas contas nacionais de qualquer uma das opções é semelhante. O que as contas nacionais não reflectem é a qualidade do investimento. Por isso a economia nunca deve ser analisada como se fosse uma ciência exacta porque é, e deve continuar a ser, uma ciência social. Por isso é que os economistas vão continuar a ter visões diversas sobre os mesmos números. Nunca devemos analisar os números como algo absoluto sem analisar a sua correspondência na vida real já que, com base nos mesmos números, que, por exemplo, ilustram uma diminuição do investimento público, podemos chegar a conclusões diferentes, sem isso significar uma incongruência, ou seja, tanto podemos chegar à conclusão, com uma análise qualitativa e não quantitativa, que os mesmos números representam algo positivo ou negativo para a economia.

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2 Comments:

  • At 10:47 da tarde, Anonymous Fernando said…

    Fazes aqui uma afirmação interessante. "Nunca devemos analisar os números ... sem analisar a sua correspondência na vida real..." certíssimo.
    O Governo Sócrates tem desenvolvido um estilo de governação e desenvolvido políticas que está a destruir os pilares das relações sociais em Portugal. Apesar das grandes manifestações da CGTP está instalado o medo e a insegurança social. O governo Sócrates fez escolhas ideológicas, apresentadas como modernas, indispensáveis, necessárias e inevitáveis, bem conseguidas, por força de uma máquina de propaganda bem montada, mas que se inserem objectivamente, no campo ideológico do centro e da direita e daí também a dificuldade das forças políticas desse espaço político, em conseguir impor-se. Não estou a dizer que não é preciso rigor nas contas, uma visão moderna da sociedade, menor responsabilidade, vou mais longe é preciso mais rigor, mais modernidade, mais responsabilização. Mas com outras políticas: para responder ás aspirações populares, para criar emprego, acabar com despedimentos abusivos, combater a precariedade, promover a formação, para dar esperança e resposta à crise social. É de um confronto ideológico que se trata. É o confronto entre uma política de esquerda verdadeiramente socialista, (responsável, rigorosa, moderna, mas em que os objectivos e as medidas, passem pela a diminuição das desigualdades, e por políticas sociais que respondam ao nosso atraso) e a política de Sócrates que protege e estimula o liberalismo económico. É este o debate na esquerda que tem de ser feito.

     
  • At 2:09 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Fernando,

    Estou de acordo com algumas partes do teu comentário mas não sei se estamos de acordo quanto à definição de "socialismo moderno". Se ambos concordamos com mais rigor, modernidade e responsabilização então algumas destas medidas são incontornáveis. Noutras há alguns equívocos.

    Há, por exemplo, a questão das maternidades, das urgências e das escolas no interior. Sou a favor de muitas destes encerramentos já que estas não têm massa crítica para dar resposta a questões de eficiência e, mais importante, não garantem sinergias e/ou condições para uma garantia mínima de qualidade. Mas se este Governo - ou anteriores - tivessem tido a coragem de ter efectuado uma regionalização com rigor provavelmente era possível defender melhor - e com mais massa crítica - outras soluções.

    O tal rigor, modernidade (não sei bem o que é isto mas coloco na mesma) e responsabilização não pode estar divorciado das questões sociais mas, sinceramente, não vejo alternativas para algumas destas questões. E discordo que este Governo seja liberal (de centro direita já estou mais de acordo) porque liberal seria questionar o SNS, privatizar a SS ou abdicar de outras funções do Estado. Creio que o que está a ser tentado, nem sempre bem, é criar eficiência dentro do Estado e não uma alienação das suas funções.

    Abraço,

     

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