Filho do 25 de Abril

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terça-feira, fevereiro 20, 2007

1012. Manual Político do Branqueamento de Responsabilidades

"A situação criada aos madeirenses é como uma pessoa estar a fazer uma casa com o dinheiro que tem no banco e, de um dia para outro, o banco lhe tirar esse dinheiro, com o argumento de que não gosta dessa pessoa"
Alberto João Jardim

A Região Autónoma da Madeira está perante eleições antecipadas e convém perceber porquê. O mais óbvio seria ler o discurso de quem provocou as eleições antecipadas e perceber o porquê. Segundo este, Alberto João Jardim de nome, Presidente do Governo Regional de cargo, acha que o banco retirou-lhe o dinheiro porque não gostava dele como pessoa. O banco, para quem ainda não percebeu, é o Governo da República, que, segundo palavras do próprio, é liderado por "traumatizados sociais". O que é curioso é que consecutivas direcções desse tal banco avisaram, também consecutivamente, que o banco tinha limitações orçamentais e que esse cliente não podia, novamente consecutivamente, deixar de cumprir as suas obrigações. A anterior ocupante de tal distinto cargo, a gerente do tal banco, Manuela Ferreira Leite de nome, chegou a aprovar uma lei que, perante novo incumprimento deste especial cliente, o financiamento teria que ser reduzido. Antes desta gerente do banco, outros gerentes perdoaram dívidas com base em promessas desse cliente.

Então porque é que estamos perante eleições antecipadas? Porque houve um gerente do tal banco que resolveu disciplinar as contas da região e impor a solidariedade nacional na distribuição desses tais financiamentos. Mas a principal razão talvez não seja essa. A dívida directa e indirecta da região, quer através de empréstimos directos, quer através de empréstimos com aval do Governo Regional, quer através de empréstimos de sociedades detidas pelo Governo Regional, quer através de antecipação de receitas pela concessão do património desse mesmo Governo Regional, repito, a dívida directa e indirecta da região atingiu níveis incomportáveis. Perante tal cenário e perante um tal banco que parece pouco permeável a aceitar mais promessas de cumprimento ou a ceder a mais ameaças, o tal cliente do banco só tinha uma saída. Qual era essa saída? Encontrar um bode expiatório para a situação que o próprio criou, ou seja, culpar o gerente do banco pela falência a que levou as suas próprias contas.

Como o tal banco tem como accionistas, em parte, os mesmos accionistas que tem o tal cliente endividado, a estratégia é simples, ou seja, o sucesso desta manobra política de ilusionismo só é possível se e só se o tal banco ceder à chantagem do cliente. Será provável? Acho e espero que não...

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4 Comments:

  • At 10:59 da tarde, Blogger O Profano said…

    O Problema não será na forma imediata provocada pela Lei das Finanças Locais. O problema já vem é de trás, ao se permitir que alguém ocupe uma "cadeira" por tanto e indeterminado tempo e isto é que também deveria ser legislado.Não se compreende porque ainda não o foi. Não culpo ném questiono os Madeirenses que votaram e votarão no senhor, antes prefiro culpar o Estado por essa situação. Penso é que também ainda não houve alguém com os ditos "tomates" para por este senhor na linha, para que não ande a sujar o nome dos Portugueses e a manchar o bom nome da Nação. E a Nação somos Nós do Continente e Ilhas.

     
  • At 1:43 da manhã, Blogger MB said…

    coincidência (ou não...), apresentar a demissão no dia em que a LFR é publicada no diário da Republica...
    Como em 2008 não iam existir poços de rega suficientes para inaugurar, que garantissem cobertura medíatica extra durante o período de campanha, toca a antecipar tudo enquanto a LFR ainda está quente e por toda a gente a desviar o olhar dos verdadeiros responsáveis. Além do mais sondagens do próprio PSD há já algum tempo que demonstram a quebra sustentada das intenções de voto no mesmo. Nem mesmo a aprovação da LFR teve o resultado, ao nivel das intenções de voto, que o PSD esperava...
    Mas a quente, um dia depois do anuncio o que se nota é que a nuvem de fumo parece estar a funcionar e o povo aplaude, mas quero acreditar que são efeitos do carnaval!
    P.S.:Amanhã nos passos perdidos da ALRM é inaugurada a exposição colectiva, com obras dos deputados do PSD da terceira fila para trás, com o titulo "Crónica de uma morte anunciada" a entrada é livre (a saida é que acho que vai ser a contragosto!)

     
  • At 3:26 da manhã, Blogger Vítor Sousa said…

    Meu amigo Ricaro, emudeço. O silêncio da admiração.

     
  • At 12:49 da tarde, Blogger O Micróbio II said…

    Novas eleições, Alberto João vence de novo, a legislação mantem-se... queganhou ele com esta demissão?

     

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