Filho do 25 de Abril

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terça-feira, abril 10, 2007

1082. Sim, mas...

O nosso distinto Presidente da República é cada vez mais o Presidente do "Sim, mas...". A expressão não é minha - julgo que surgiu no Expresso - mas reflecte bem o que está a ser o mandato deste Presidente. Promulga tudo mas não está de acordo com nada. Impressionante.

O último episódio do "Sim, mas..." é a nova lei da interrupção voluntária da gravidez. Novamente uma lei que chega à Presidência é promulgada e novamente é alvo de crítica por parte do Presidente. O Presidente da República acrescenta à lei as suas notas pessoais - podemos colocar na margem? - e afirma que esta podia ter sido alvo de mais "ponderação", que teria sido possível "um consenso político mais alargado e soluções mais claras", que há "um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar" e defende "uma avaliação dos resultados do presente diploma".

Viva a cooperação estratégica. Mais um pouquinho e até podemos dispensar a existência do Presidente da República o que vai fazer maravilhas ao défice orçamental.

P.S. A nova lei segue para publicação no Diário da República com as notas pessoais do Presidente da República na margem, manuscritas pelo próprio, sem a força de lei, com a esferográfica oficial do Presidente.

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3 Comments:

  • At 5:36 da tarde, Blogger Flecha Ruiz said…

    E quem beneficia com isso é o Governo do PS e o Engº(?) Sócrates! O que acaba por ter vindo a ser muito bom nalguns campos e bastante mau noutros. Não obstante, eles gostam da "oposição" que têm.

    O PR anda pela calada, tendo uma presidência muito à imagem da campanha e muito à margem do País. Ora aparece aqui, ora aparece ali...perguntam-lha X e ele refere que só está ali para falar de Z. Promulga, não veta. Não veta, promulga e assim vai andando gozando a última missão antes da reforma choruda ou/e cargo na administração ou direcção de alguma instituição.

    O CDS/PP é o que se vê...andam ao estalo, não se entendem! Paulo Portas pensava que iria ser mais bem recebido, Ribeiro e Castro não pensou que Paulo Portas fosse tão bem recebido. Ambos perderam naquilo que pensavam que iria acontecer...o partido anda aos papeis entre a ociosidade do segundo e a saturação do primeiro.

    PSD...tem um líder que me desiludiu. Sempre gostei de Marques Mendes, parecia alguém à altura do papel...parecia firme e atento. Apareceu alguém que diz que disse, que se esqueceu do passado (problema comum na política, aliás) e que tem como momento marcante destes dois anos a apresentação de um projecto-lei para o dia do cão.
    Aproveitou-se da questão da Licenciatura de Sócrates para fazer lança de ataque ao Governo, talvez ainda não tenha percebido que não é por aí. Embora, facto, a poularidade de Sócrates tenha descido.

    Na direita não há oposição.

    Na esquerda...o BE continua com um líder que sabe falar e mostra coerência nas suas convicções. Aproxima-se do povo, mostra interesse e talvez alguma capacidade de percepção de alguns problemas sérios...mas apresenta medo de realmente enfrentar as coisas com mais do que bons discursos, demagogias e contradizer o que quer que seja que o Gov diga.

    PCP...a eterna luta. Teima em não se inovar e modernizar e, tal como o BE, tem muitas ideias do que está mal mas poucas soluções para pôr bem.

    E assim o PS sorri e vai andando por aí...perdoem-me a comparação mas como disse Eça de Queirós sobre Ega "umas vezes chumbando, outra vezes reprovando".

     
  • At 5:57 da tarde, Blogger O Profano said…

    BoAs...
    Este tipo de atitudes só demonstra que Cavaco Silva só está a cumprir calendário e a ganhar o seu, pois nada faz que o governo não esteje a fazer, só rubricando por baixo.
    Sinceramente, estava á espera de uma atitude mais activa por parte de Cavaco Silva, pois até vem de uma are política diferente da do governo actual.
    Assim mais valia não existir o cargo de Presidente da República, pois para fazer o que faz, também Sócrates o faria...
    Abraços Profanos

     
  • At 6:55 da tarde, Blogger rouxinol de Bernardim said…

    Julgo que ser PR é uma tarefa muito delicada e que exige extrema ponderação e sangue frio. Cavaco pode não gostar da Lei ( e sei que não gosta) mas não pode andar por aí a badalar aos quatro ventos. Tem que ter prudência, ponderação. Ele sabe que a lei pode ser uma porta aberta para o aborto livre, daí as necessárias cautelas e avisos. Ele não pode criticar publicamente o governo senão dir-se-á: "Então que está à espera para o derrubar?"
    Ele tem que ser solidário até onde for possível. Depois, quando houver motivos fortes para uma dissolução, então sim, dirá de sua justiça.

    Ele não pode ser um desestabilizador, um elemento bloqueador. Ele prometeu (e tem cumprido) estabilidade. Daí o meu respeito pela sua postura apesar de nele não ter votado.

    Quando houver motivos para zurzir no governo deve fazê-lo e divulgá-lo urbi et orbi, justificando o seu comportamento com a exoneração
    (dissolução da AR?); até lá tem que garantir estabilidade, solidariedade e respeito.

     

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