Filho do 25 de Abril

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sexta-feira, dezembro 03, 2004

(251) Opiniões Abruptas

Não é habitual concordar com Pacheco Pereira! A ideia de Cavaco a Primeiro Ministro só cheira a mofo! Mas hoje ele escreveu três posts que eu não podia deixar de reproduzir porque subscrevo sem reservas. Vale a pena ler!

SAMBA DE UMA REFORMA SÓ

Não me importava que houvesse um governo minimalista que tocasse o samba de uma reforma só. Que dissesse: vou gerir tudo como é habitual os governos gerirem, com competência, mas sem veleidades de mudar nada. No entanto, reformarei de fundo um aspecto da vida pública. Vou, por exemplo, desburocratizar. Onde são precisos cem papéis ficarão um ou dois. Onde demora um ano, vai demorar uma semana. E todas as pedras necessárias serão viradas. E durante quatro anos serei julgado por objectivos, como agora se diz. Talvez alguma coisa mudasse.

DESTINO (ESTE É QUE ESTÁ MESMO ESCRITO NAS ESTRELAS)

O nosso caminho não é a miséria. Disso estamos mais ou menos protegidos pela UE. É a mediocridade, e a mediocridade implica a miséria para alguns, o remediamento sem folga para uma vasta maioria, e o remediamento com folga para a classe média. Quanto aos ricos, esses defendem-se sempre bem. São internacionalistas e por isso podem viver em Portugal, com mudanças, ou sem elas. O nosso atraso e mediocridade estão-se a agravar e vão continuar a agravar-se. Esta situação é particularmente grave (e vergonhosa) porque isto ocorre ao fim de milhões e milhões de contos de apoios comunitários que não se repetirão. É um lugar comum dizer que temos uma última oportunidade numa ecologia ainda não inteiramente desfavorável, antes da UE ou implodir ou realmente se voltar a Leste. Talvez tenhamos mais “últimas oportunidades”, mas desconfio que não abundem.

INÉRCIA

A mim da política interessam-me as reformas. Nem sequer é preciso dizer quais são, toda a gente sabe quais são, ou, pelo menos, o sentido que devem ter. Sei também que tudo está organizado para que não se façam. Partidos, sindicatos, corporações não querem que se mexa nem um átomo nos seus pequenos poderes. Uma população com fracos recursos, com uma memória próxima da pobreza, com baixos níveis de literacia, adormecida pelo garantismo do estado e por uma sociedade dominada por mecanismos de cunha e patrocinato, também não se mobiliza facilmente para a mudança.

O estado é uma poderosa máquina de geração e manutenção da mediocridade e pesa sobre todos, distribuindo os mínimos e castrando o mérito e a diferença, favorecendo a dependência subsidiada. Os governos preferem ter este estado, com os seus inúmeros cordelinhos e fios de poder, e não querem perder nem um só deles, mesmo que tudo seja frágil. A inércia é muita.

Só há três antídotos a esta situação: poder forte, com a força dos votos, autoridade que vem da credibilidade, e vontade de mudança. A conjugação é raríssima, mas existe.

Abrupto

4 Comments:

  • At 10:53 da manhã, Blogger O Micróbio said…

    "... autoridade que vem da credibilidade...". Também subscrevo, mas não deixo de salientar que foi precisamente uma dessas características que ele salienta que fez com que o poder (qualquer que ele fosse) nunca quisesse nada com o Pacheco Pereira.

     
  • At 12:38 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Micróbio ... a ideia de poder resulta, eu sei que mal, de compromissos! O Pacheco Pereira é um político que não tem capacidade de ceder nas suas convicções (para o bem e para o mal porque às vezes nem mudando o contexto), o que não é um bom cartão de visita para ocupar uma posição de poder. Mas o seu contributo, apesar de quase sempre estar em desacordo com ele, é importante!

     
  • At 2:41 da tarde, Blogger polittikus said…

    Sei que o povo esquece com facilidade. ou ainda se lembram das asneiras de JPP quando fez parte do Governo??? ai ai esse menino...

     
  • At 3:32 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Caro Polittikus... não, não me esqueci de nada, o que não me impede de achar algumas das suas opiniões válidas!

     

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