Filho do 25 de Abril

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sábado, janeiro 08, 2005

(285) Páginas Soltas (9): O Homem Duplicado, de José Saramago



“O caos é uma ordem por decifrar.”
Livro dos Contrários

Há escritores que têm um estilo inconfundível! Saramago tem uma forma de escrever e contar as suas histórias muito original. O estilo de escrita, muito criticado, caracteriza-se por um desrespeito pelas regras da boa pontuação. Após as suas obras iniciais, onde o autor ainda procurava o seu estilo, comecei a admirar este estilo. Torna a narrativa rápida e quase verbal como se de um longo diálogo se tratasse. Outra característica de Saramago, muito ao estilo Sul Americano, é introduzir um evento ou situação “fantástica” e, com a maior das normalidades, descrever a rotina dos protagonistas face a esse acontecimento.

“Acredito sinceramente ter interceptado muitos pensamentos que os céus destinavam a outro homem.”
Laurence Sterne

O Homem Duplicado é Saramago puro, na fase madura do seu estilo. Está lá o acontecimento “irreal”, o homem duplicado, e a descrição da rotina é feita no seu estilo inconfundível. Mas este livro tem um problema que também é recorrente em algumas obras de Saramago, não consegue descolar da sua ideia original. Já tinha acontecido o mesmo na “Caverna” ou na “Jangada de Pedra”. A ideia inicial esgota-se e, como um fogo fátuo, torna a narrativa inimaginativa! O final, apesar de tudo, é interessante!

Quando leio Saramago não estou à espera dum clímax poderoso nem duma narrativa cheia de acção mas estou à espera de personagens bem descritas e interessantes. Se adorei o
Evangelho Segundo Jesus Cristo, que tinha acabado de ler, fiquei decepcionado com esta obra. Vem reforçar que a melhor fase de Saramago, apesar do estilo já bem enraizado, não é a mais recente!

6 Comments:

  • At 2:26 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Há escritores e depois os outros que escrevem, Saramago é um escritor, com ou sem virgulas, que interessa as nosas estradas também muitas vezes nem um pingo de tinta branca tem e não é por isso que deixamos de lá circular.
    Barão da Tróia

     
  • At 3:21 da tarde, Blogger Toze said…

    Do Saramago adorei o " Ensaio sobre a Cegueira " e o " Todos os Nomes " e já ando há muito tempo para ler o "Levantado do Chão" . Bom Fim de Semana

    Finurias

     
  • At 4:18 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Barão da Tróia... A tua comparação está engraçada! O estilo de Saramago, mesmo nas obras que não gosto tanto, não é um defeito, é uma forma de contar uma história de forma original!

     
  • At 4:24 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Finúrias... Também gostei dos dois livros que mencionas, mais do "Ensaio sobre a Cegueira" que "Todos os Nomes". "Levantado do Chão" também nunca li...

     
  • At 4:39 da tarde, Blogger Armando S. Sousa said…

    O livro de referência de José Saramago no seu caminho até ao Prémio Nobel é "Memorial do Convento".
    Este livro é a pedra angular de todos os outros livros, e para mim indiscutivelmente o melhor.
    Como já disse, também gostei muito do Evangelho.
    Para mim, José Saramago pós-Nobel, tornou-se um escritor preguiçoso, não que a sua qualidade literária tenha baixado, mas sim a profundidade da mensagem.

     
  • At 4:55 da tarde, Blogger Ricardo said…

    A.S. ... O "Memorial do Convento" já está aqui em casa à espera de ser lido! Concordo contigo que o Saramago pós-Nobel perdeu força na sua mensagem!

     

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