Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

quarta-feira, maio 04, 2005

(402) A Terra não deixa de Girar

Durante a minha ausência destas lides de escrever o que penso sobre os peculiares eventos da humanidade houve muitos acontecimentos no planeta azul que merecem o meu comentário:

Comemoração do 31º aniversário da Revolução dos Cravos: Parece impossível que este Filho do 25 de Abril não se tenha associado a esta comemoração e enaltecido os valores da Revolução. Mas infelizmente é verdade. Nem sequer assisti ao habitual discurso alarmista do Presidente da República e ao ainda mais habitual ar de desentendido do Primeiro Ministro. Nada como fazer umas visitas por outros blogues cuidadosamente seleccionados para recuperar o que perdi;

Papa Bento XVI: Ninguém consegue adivinhar o que eu estava a fazer quando vi o fumo branco. Nem vou contar! Corre pelos blogues a opinião que os não católicos não devem dar "palpites" sobre a escolha do representante máximo dos católicos. Concordo e como concordo não vou dar a minha opinião. Mas como também acho natural que os católicos não devam impor aos Estados os seus pontos de vista morais (O Estado quer-se moralmente neutro) cá estou eu para defender que as leis civis não sejam permeáveis à opinião do Papa nem de qualquer outro líder religioso;

O Regresso do CDS: A democracia cristã regressa ao panorama político português! A experiência ideológica que Monteiro e Portas tentaram implementar em Portugal acaba sem ter deixado nenhuma marca visível na nossa sociedade. Portugal precisava duma verdadeira direita porque, após o 25 de Abril, a direita portuguesa não existe ou está envergonhada. O próprio PSD nunca foi ou quis ser o representante da direita em Portugal assumindo até uma designação que não se afasta muito do Socialismo. O CDS também nunca quis definir-se como direita preferindo os valores conservadores e religiosos (que eu acho ridículos num Estado que se quer laico). Então surgiu o PP de Monteiro e Portas que se definiram como a direita portuguesa. Mas a direita pode ser popular sem ser populista e estes dois políticos nunca perceberam a diferença entre as duas palavras. E a direita quer-se liberal e não com um discurso que se adapta às situações numa deriva ideológica que faz os seus potenciais eleitores ficarem confusos. Como é que o PP podia sobreviver se definia-se como sendo de direita e, com a mesma facilidade, defendia os valores da esquerda sempre que lhe dava jeito. Para quando uma verdadeira direita para Portugal?

Santana Lopes, Isaltino Morais e Valentim Loureiro: O afastamento ou a intenção de afastamento destes nomes como candidatos do PSD às autárquicas por parte de Marques Mendes é polémica, principalmente quando falo dos dois últimos nomes. Por um lado há a presunção da inocência que deve ser respeitada e este acto em nada contribuí para que isso aconteça. Por outro lado admiro Marques Mendes por impor às estruturas locais os princípios orientadores da nova direcção querendo dar uma imagem de transparência no PSD e de intolerância em relação à corrupção. Já no caso de Santana Lopes a opção é claramente política;

José Mourinho: Defendo uma teoria sobre o treinador estrela do momento que pode parecer estranha mas que tem a sua lógica. Acredito que nenhum ser humano (e pode não parecer mas Mourinho pertence a esta classe) está preparado emocionalmente para atingir todos os seus objectivos cedo demais. Em primeiro lugar porque a queda é inevitável e quanto mais alto estamos maior é o impacto no solo. Mas também porque um homem sem desafios é um homem morto, ainda antes de parar de respirar. Por tudo isto defendo que o melhor que podia ter acontecido a Mourinho foi a derrota com o Liverpool porque perde a sua aura de invencível no ano em que ganhou a Premiership mantendo assim o respeito profissional que merece e conservando a motivação de fazer melhor no próximo ano;

Um ano de Blogue: Durante a minha ausência este blogue fez um ano. Não gosto muito de números e datas simbólicas que, no fundo, nada significam. Mas quem escreve um blogue sabe que um ano é muito tempo e exige muito trabalho. Não gosto de fazer balanços mas quero realçar que o único critério que uso para escrever este blogue é o de dar-me prazer fazê-lo porque sei que é a única forma de mantê-lo minimamente interessante para terceiros.

10 Comments:

  • At 5:01 da tarde, Blogger Pedro F. Ferreira said…

    De regresso e em forma!!!

    1º parágrafo: não perdeste, ganhaste, pois está aqui. Além disso, comemoras o 25 de Abril diariamente, sempre que escreve em liberdade sobre a liberdade.
    2º parágrafo: eis o Ricardo no seu melhor, começa a "defender" e quase sem se dar por isso... "ataca e marca".
    3º parágrafo: excelente reflexão.
    4º parágrafo: «Por outro lado admiro Marques Mendes por impor às estruturas locais os princípios orientadores da nova direcção querendo dar uma imagem de transparência no PSD e de intolerância em relação à corrupção.» Mudaria apenas o verbo "admirar" por "louvar".
    5º parágrafo: Mourinho começa a perceber que um jogo é isso mesmo: aleatório com elementos que não se podem controlar. O hmomem é bom e competente, mas é, também um homem. Ontem isso provou-se. Perdeu-se um mito, ganhou-se um homem. Pelo menos assim espero.
    6º parágrafo: parabéns pelo blogue e não tenhas dúvidas de que é muito interessante de ler.
    Um abraço.

     
  • At 5:14 da tarde, Blogger Didas said…

    Pois. Mas o que não explicaste mesmo foi o que andaste a fazer. Hmmm

     
  • At 12:34 da tarde, Blogger O Micróbio said…

    Eu fico-me pelo 6º parágrafo... PARABÉNS!

     
  • At 2:37 da tarde, Blogger Adryka said…

    Eu fico pela observação final, ter um blog, significa assumir o que escrevo e escrever os meus pontos de vista, se for da opinião dos meus amigos muito bem, se n/ for aceito as criticas, sou blogueira para mais de 30 meses.

     
  • At 3:10 da tarde, Blogger pindérico said…

    Seis aplausos e uma dúvida; do Valentim, é melhor esperar o fim!(acrescentaria "do folhetim", mas é rima excessiva!)

     
  • At 3:20 da tarde, Blogger Armando S. Sousa said…

    Bons olhos te vejam, Ricardo.
    Bom regresso.
    Desculpa-me não comentar todo o post, dou-te muitos parabéns pelo primeiro ano de blogosfera, e apesar de saber a dificuldade que é escrever aqui, espero estar cá no próximo ano para te dar uma vez mais os parabéns.
    Um grande abraço e tudo do melhor para a tua vida.

     
  • At 10:52 da tarde, Anonymous v said…

    Ora receba aí os meus pabéns.
    Sobre as questões postas ainda poderemos discutir um bom bocado. Um abraço.

     
  • At 10:53 da tarde, Anonymous O Velho da Montanha said…

    O ultimo comentário é meu, mas pirou-se quando o ia publicar.

     
  • At 11:56 da tarde, Anonymous miguel said…

    Basicamente... parabéns!

     
  • At 12:10 da manhã, Blogger Frederico said…

    Parabéns atrasados.

     

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