Filho do 25 de Abril

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terça-feira, abril 04, 2006

821. Sala de Cinema: A History of Violence


Viggo Mortensen e Maria Bello em A History of Violence, de David Cronenberg

Realizador: David Cronenberg
Elenco: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt, Ashton Holmes

A History of Violence é um filme que me dividiu. Gostei da gestão da tensão nas cenas de violência e da evolução da relação familiar mas, ao mesmo tempo, confesso que as mensagens subtis que a imprensa – e alguns blogues especializados – promoveu como integrantes desta obra não foram visíveis para mim. Passei o filme a pensar que o que parecia podia não ser a realidade mas, no fim, fiquei com a sensação que, desde o início, tudo era mesmo óbvio. E o que parece – e é – não é mais que a história dum homem que ocultou da sua família – e comunidade – um passado que agora o persegue. Esse passado visita-o por vagas e começa a ser expurgado também por vagas num conjunto de cenas de violência bem conseguidas mas sem qualquer impacto emocional e, mais importante, sem retratar de forma fiel qualquer tipo de realidade. Mesmo como objecto caricatural da violência na América não consegue, claro está na minha opinião, captar a violência duma forma que obrigue a qualquer tipo de reflexão sobre o que acontece com a América profunda e violenta. Não é a minha percepção que a violência seja gerada desta forma e com estas motivações. Provavelmente as minhas expectativas - alimentadas pelas críticas - eram a de um tipo de filme diferente e, talvez por isso, não saí rendido pela película.


Ed Harris e Viggo Mortensen

E se já não achei o filme credível – mesmo como caricatura - também não gostei das personagens secundárias. As reacções de Maria Bello – apesar da boa interpretação – não me pareceram credíveis e a comparação com séries como os Sopranos é inevitável onde o mundo do crime e da violência consegue ser credível enquadrando a família de forma realista neste mundo. O filho – Ashton Holmes – parece, também ele, alguém com treino intensivo em "violência" tal é a facilidade com que domina os que o acossam, sem explicação aparente. Ed Harris interpreta uma personagem sem substância e até William Hurt é um mafioso como muitos que já vi no cinema de acção da classe Van Damme (não percebi a nomeação para o Óscar). Viggo Mortensen está impecável – o olhar é o espelho da alma – mas como não achei credível o contexto da sua duplicidade não posso encarar a sua interpretação como inesquecível ou sequer comparável a outras que focam a temática dos anti heróis.

A carreira de David Cronenberg está povoada de filmes pouco convencionais onde a carne e o metal fundem-se das formas mais estranhas – Videodrome, Fly, Crash, Existenz – e outros filmes onde os limites do corpo são postos à prova – Dead Zone, Scanners, Spider – e A History of Violence não fica no meu top 5 de filmes favoritos deste realizador. Quem sabe se, com o tempo, eu reaprecie o filme e o veja com outros olhos. Até lá fica como uma desilusão.

Síntese da Opinião: Como Cronenberg é um dos meus realizadores favoritos o filme foi uma desilusão. Mesmo assim é um filme com alguns pontos positivos que vale a pena destacar.

Memórias do Filho do 25 de Abril: Sétima Arte (todos os textos deste blogue sobre cinema)

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3 Comments:

  • At 7:40 da tarde, Blogger Rui Martins said…

    mais uma prova de como é possível realizar grandes filmes, sem orçamentos faraónicos, orçamentos babilónicos e actores divinizados...

     
  • At 12:28 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Pois, tb já vi este filme e posso dizer que gostei relativamente; contudo não teve em mim o impacto que os filmes do Cronenberg costumavam ter. Acho que se lhe acabaram as ideias, infelizmente. No final, pensei "soube a pouco" e tb achei o enredo mt previsível. disappointing

     
  • At 2:41 da manhã, Blogger gonn1000 said…

    Também ficou aquém do que esperava, embora ainda tenha gostado. É só mais um, não é mau mas está longe de ser um dos melhores do ano...

     

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