Filho do 25 de Abril

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quinta-feira, dezembro 08, 2005

654. Debate: Mário Soares e Jerónimo de Sousa



O Debate per si

Só tive oportunidade de assistir à segunda parte do debate. Se o todo foi igual à amostra não perdi um grande debate.

Este era o debate do "combate" pelo eleitorado comunista e, nessa perspectiva, notou-se uma certa cumplicidade entre os dois candidatos (que não existe entre Jerónimo e Alegre). Ficou claro que, a haver uma segunda volta com Soares, vai haver um apelo no voto neste candidato ao eleitorado comunista.

Do pouco que vi do debate posso dizer que estou muito mais próximo da visão do mundo de Mário Soares do que estou da visão de Jerónimo. A análise que Soares faz dos EUA, da UE e da NATO é uma visão que eu partilho e que tenho sempre aqui defendido. E não é um conjunto de lugares comuns permeáveis à conjuntura - como classifico o discurso de Cavaco no anterior debate sobre temas mundiais - mas um conjunto de ideias que tem em atenção os objectivos primordiais das organizações internacionais. Achei extremamente deselegante a forma como os moderadores levantaram o fantasma do comunismo na China com perguntas descontextualizadas das Presidenciais a Jerónimo de Sousa.

O Modelo dos debates

Há umas semanas, antes de estar definido o modelo dos debates, ouvi declarações de Cavaco Silva no sentido de que os debates tinham que ser feitos num ambiente de civismo e a dois. Como quem tem interesse em que os debates sejam feitos são os candidatos que estão atrás nas sondagens não é difícil perceber quem ditou as regras do jogo. E também não é difícil perceber, seguindo esta linha de raciocínio, que o modelo implementado de debate - ou melhor, de entrevistas simultâneas - é a perfeita imagem do candidato Cavaco Silva, ou seja, sem chama e enfadonho. Em vez de assistirmos a um debate vivo de trocas de ideias - ao velho estilo do debate Cunhal com Soares - assistimos a uma entrevista com uma réplica ténue e com moderadores - que devia mediar e não conduzir - a desviarem excessivamente o rumo natural da discussão de ideias. Enfim...

10 Comments:

  • At 10:35 da tarde, Blogger H. Sousa said…

    Não vi o debate, aliás nem sabia que era hoje. Pena...

     
  • At 1:51 da manhã, Blogger a.castro said…

    Já li o teu artigo completo no Canto Acabado (vamos ver o que dará essa experiência... estou a pensar, por exemplo, nos comentários, que poderão ficar dispersos ou até não ficar no sítio certo, ou seja, no Blog do autor dos artigos).
    Assisti ao debate, embora sem largar o computador. Concordo genericamente com a tua análise (e já não preciso de me debruçar sobre o tema - o primeiro deu lugar ao meu post "Cavaco vs Alegre", que também foi parar ao Canto) e até me escapou o "...extremamente deselegante a forma como os moderadores levantaram o fantasma do comunismo na China...", o que assino por baixo. Os moderadores é que parece terem guardado a K7, quando deviam ter-se actualizado em função das circunstâncias que já passaram à História.
    Abraço

     
  • At 3:28 da tarde, Blogger H. Sousa said…

    Pois, de facto, o canto não está a ter a adesão que supunha. Se me permitem, vou seguir a sugestão de a.castro e eliminar os comentários, de modo que as pessoas comentem no devido lugar.
    Quanto ao debate, já sei que não houve.

     
  • At 5:31 da tarde, Anonymous Liliana said…

    Não vi o debate... com muita pena. De qualquer forma conheço os ideais de cada um e já dá para antever como decorreu o debate.
    Mário Soares reforma-te.

     
  • At 6:04 da tarde, Blogger exilado said…

    Caro Ricardo,

    O debato passou posteriormente várias vezes na RTP-N e na SIC. Desta vez foi
    um bom debate, na minha perspectiva.
    Apesar daquele modelo séptico, a boa-vontade dos dois intervenientes, deu para que houvesse mesmo debate de ideias, fugindo à dupla intervista, interpelando-se um ao outro, interrompendo-se mesmo um outro em alguns momentos.

    Abraço.

     
  • At 7:18 da tarde, Blogger Fernando said…

    Soares esteve bem. Soube tirar partido da fragilidade da argumentação de Jerónimo sobre vários assuntos: Europa,China e o apoio do PCP à sua releição que permitiu Soares brilhar. Jerónimo tb não soube contrariar o que me surprendeu a defesa que Soares fêz da governação de Sócrates, a não ser através de frases soltas. Soares está no seu terreno e Jerónimo não teve o repentismo necessário para alterar o rumo. Contudo penso que Jerónimo fêz o suficinete para o seu eleitorado mais fiel e Soares penso à esquerda, conquista posição no duelo com Alegre. Espero que Louçã dê uma lição ao "senhor professor", embora este modelo não seja mais favorável a candiddaturas que se apresentem defensivamento e com poucas ideias como é o caso de Cavaco e Alegre

     
  • At 7:20 da tarde, Blogger Fernando said…

    Correcção: "embora este modelo SEJA mais favorável a candidaturas" mais defensivas.

     
  • At 10:47 da tarde, Blogger mfc said…

    Acabei de ver o debate Cavaco/Louçã... pela primeira vez vi o Boliqueime incomodado!

     
  • At 11:48 da tarde, Blogger Sulista said…

    Concordo absolutamente com o que dizes sobre o Modelo dos Debates.

    Apesar disso e como diz "mfc"
    hoje, o Cavaco viu-se aflito!

    Bjs

     
  • At 1:51 da manhã, Blogger O Raio said…

    Pois é, as coisas estão a melhorar.
    O primeiro debate, Cavaco x Alegre foi mais enfadonho do que sei lá o quê.
    O seguinte, Soares x Jerónimo já foi bastante mais animado e, a meu ver, foi muito equilibrado.
    Jerónimo aguentou-se bem perante um adversário extremamente batido nestas coisas.
    Mas hoje, Cavaco X Louça, foi o fim! Louçã estava inspirado, impôs as regras como lhe convinha, saltou por cima dos apresentadores e conseguiu encabular o Cavaco.
    A ponto de este meter os pés pelas mãos como por exemplo quando falou da imigração.
    Compreende-se porque é que Cavaco foge dos debates como o diabo da cruz...

     

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