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segunda-feira, maio 07, 2007

1132. Eleições Regionais Medira 2007: Rescaldo, a oposição na Madeira


Uns dizem que a oposição é fraca, outros que ser oposição na Madeira é o emprego mais ingrato do mundo. Talvez uns e outros tenham razão e que um é consequência do outro. Qual deles é a causa e qual deles é o efeito deixo ao julgamento de cada um.

Não é fácil ser oposição na Madeira porque: i) o discurso oficioso é que estão a fazer oposição, não na Madeira, mas à Madeira; ii) porque não há condições democráticas para ser oposição de forma séria e em igualdade de condições; iii) porque quem não opta pelo discurso do "inimigo externo" tem dificuldades em obter votos; iv) porque não há possibilidade de provar o seu valor através dum cargo político/ público.

Sobre este último ponto há um exemplo que considero deveras revelador. Porque é que, actualmente, não há um único Presidente de Câmara da oposição na região? Já houve (Machico, Porto Santo) mas já não há. Sempre que houve, relembro, o investimento regional afastou-se do local e a câmara sofreu um estrangulamento financeiro. No dia seguinte, ou seja, mal a câmara foi recuperada pelo "partido do poder", a população foi recompensada com um investimento regional avassalador. Nenhum eleitor, nestas condições, está disposto a comprometer o futuro do local onde habita. Sobre o assunto Alberto João Jardim foi claro ao avisar, publicamente, que Câmaras da oposição não iam ter dinheiro (em plena campanha eleitoral) e acrescentou que no dinheiro do Governo Regional manda ele. Assim é difícil, muito difícil, ser oposição na Madeira.

Posto isto, defendo que Jacinto Serrão devia demitir-se. E passo a explicar. Independentemente das nuances democráticas a que está sujeito não pode, ao mesmo tempo, chamá-las à atenção e, no seguinte, perante uma descida considerável da sua votação, não dar um exemplo democrático. Ou seja, dito de outra forma, não deve ser mais um exemplo de nuance democrática numa região que já está cravejada de nuances. Com certeza que Jacinto Serrão sente-se injustiçado, até pelos seus camaradas nacionais, mas não pode defender, ao mesmo tempo, que este não foi um referendo a uma lei nacional, que foram umas eleições regionais, e não tirar consequências dos resultados e da sua quota parte de responsabilidade. A democracia agradece e o vencido não sai de cabeça baixa.

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1 Comments:

  • At 9:02 da tarde, Anonymous Fernando said…

    Ricardo,
    Concordando com a tua análise e já agora aproveitando o ensejo dar-te os parabéns pelo acompanhamento que deste à eleições, não sobrescrevo que por perder as eleições a ilação a tirar tem de ser a demissão. Talvez fosse de questionar é que apoio Sócrates deu a um dirigente que em condições muito difíceis deu a cara e o corpo ao manifesto. As próximas eleições serão necessariamente mais fáceis. Sem guito e sem capacidade de endividamento e sem Jardim tudo vai ser mais fácil, estou em crer. Lembro-me do Padre Martins era ele na altura militante da UDP e tinha a Câmara de Machico e o apoio popular. Lembro-me de ter sido afastado pelo bispo da Igreja e ter que dar as missas à porta da Igreja. Lembro-me de uma entrevista em que ele justificou a saída para o PS por, segundo ele ser mais difícil ao Governo regional, cortar o financiamento a uma câmara PS. Lembro-me que isso não resultou e que por causa desse estrangulamento , Machico estava a atrasar-se no desenvolvimento comparado, até o PSD conquistar a Câmara. Com menos dinheiro vamos ver como Jardim se vai governar.

     

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