Filho do 25 de Abril

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quinta-feira, julho 29, 2004

(120) O EURO


Os Velhos Euros (Para aumentar de tamanho clique sobre a imagem) Posted by Hello

O EURO! Uma verdadeira Revolução na Europa (historicamente falando) que é tudo menos consensual! O conceito de Moeda Única não é novo e não é uma varinha mágica. Já houve várias tentativas de introduzir na Europa, ou em blocos na Europa, uma Moeda Única. Mas nunca fomos tão longe! O facto de termos chegado aqui diz muito do trabalho que já foi feito na União Europeia.

A Moeda Única, pelo menos em teoria, é benéfica para o Comércio Internacional, para evitar especulação excessiva sobre os câmbios e para credibilizar as moedas. Também em teoria cria inconvenientes, sobre os Preços, sobre a competitividade de zonas mais atrasadas e exige muito mais rigor orçamental. Não é uma varinha mágica, cria oportunidades e desafios. Mas se não houvesse vantagem em ter Moedas Únicas cada país poderia ter mais de uma moeda! Mas há vantagens!

Onde surgem os problemas? Nos mecanismos de controlo das taxas de inflação, na convergência e nos choques assimétricos. É aqui que a União Europeia tem falhado. O Pacto de Estabilidade e Crescimento é essencial mas as suas prioridades deviam ser outras, em vez de controlar o Défice Orçamental como um todo devia controlar era o Défice Corrente Primário. Devia também ser mais flexível nas recessões e permitir mais investimento aos países que ainda estão em processo de convergência. Quanto aos Choques Assimétricos estes não devem ser combatidos com políticas globais europeias mas sim com políticas nacionais. Para isso ser possível a UE devia fazer uma de duas coisas, ou deixar os Governos Nacionais combaterem estes fenómenos com políticas próprias e margem orçamental ou a própria União Europeia ter mais margem financeira para promover a coesão. Defendo mais este segundo caminho para garantir políticas coerentes menos permeáveis a lobbies locais.

Já as vantagens são óbvias porque hoje é muito mais fácil fazer Comércio Inter-Comunitário, é muito mais fácil deslocarmo-nos pela Europa e muito mais fácil as empresas criarem sinergias. Mas estes fenómenos não são líquidos para países como Portugal porque exigem um esforço de competitividade muito maior. E é aí que os nossos empresários (com a excepção do sector financeiro e algumas empresas) não têm conseguido dar o salto qualitativo. Habituados a políticas proteccionistas desastrosas para os contribuintes e à subsídio-dependência não conseguem diminuir a aversão ao risco (num estudo internacional Portugal está colocado nos primeiros lugares dos países com empresários mais aversos ao risco). Ninguém (ou uma pequena percentagem) investe, por exemplo, na eco-eficiência, nas energias renováveis, na inovação e até a Formação dos Recursos Humanos está muito aquém doutros países Europeus.

O EURO é uma oportunidade e um desafio, os seus benefícios não são "favas contadas". É preciso muito trabalho, em Portugal e na União Europeia!

8 Comments:

  • At 1:50 da tarde, Blogger O Raio said…

    "cria oportunidades e desafios"
    Esta frase é muito usada quando alguém refere alguma medida mais ou menos errada da Ue, "é uma oportunidade e um desafio".
    É uma frase de propaganda política sem significado de maior. Tudo é uma oportunidade e um desafio e, no caso em apreço, o euro, o que interessa é contabilizar as suas vantagens e desvantagens.

    "Mas se não houvesse vantagem em ter Moedas Únicas cada país poderia ter mais de uma moeda!"

    Mas há países com mais de uma moeda, a China, por exemplo que tem o renminbi (o dinheiro do povo), a dólar de Hong-kong e a Pataca (Macau).

    Quanto às criticas que colocas no último parágrafo aos empresários portugueses, lamento mas não concordo, há bons e maus como em todo o lado.
    Estas criticas destinam-se mais uma vez a ilibar a UE das suas culpas. "É tudo bom e deram-nos imensas possibilidades, infelizmente a incapacidade dos nossos empresários não as soube aproveitar."

    Os empresários, de um modo geral são os cidadãos mais empreendedores. O corolário de criticar oos nossos empresários é a de que somos geneticamente inferiores...

     
  • At 8:41 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Os nossos empresários não são geneticamente inferiores omo é obvio nem foi isso que defendo! Isso deixo para homens como o Hitler reflectir.

    Mas, como eu disse, são aversos ao risco numa classificação do Ranking de Culturas Nacionais de Gert Hofstede. Sendo 1 o valor mais baixo de aversão ao risco e 64 a média mundial, Portugal tem 104 de aversão ao risco só sendo ultrapassado pela Grécia com 112 (o valor mais alto a nível mundial). Por exemplo a China tem 40, a Dinamarca 23, a Alemanha 65, a Inglaterra 35 e os EUA 46. Este estudo não pretende "tramar" os empresários, é um estudo independente das culturas nacionais. Explica muita coisa!

     
  • At 2:57 da manhã, Blogger O Raio said…

    Não conheço o estudo. Onde o posso encontrar?
    De qualquer forma conheço empresários de outros países, até vivi anos no estrangeiro e não vejo uma diferença por aí além.
    O que noto é que o empresário português é um empresário relativamente descapitalizado e isso, claro, leva à prudência...

     
  • At 1:56 da manhã, Blogger O Raio said…

    Já descobri o estudo que referes.
    Achei piada porque há tempos frequentei um curso dado por um Prof de uma Universidade inglesa em que ele referia este estudo.
    Só que o "Uncertainty Avoidance Index" não é a aversão ao risco e muito menos a aversão ao risco dos empresários.
    Primeiro o indíce refere-se a toda a sociedade e não só aos empresários e depois a definição deste indíce é a seguinte:
    "Uncertainty Avoidance Index (UAI) focuses on the level of tolerance for uncertainty and ambiguity within the society - i.e. unstructured situations. A High Uncertainty Avoidance ranking indicates the country has a low tolerance for uncertainty and ambiguity. This creates a rule-oriented society that institutes laws, rules, regulations, and controls in order to reduce the amount of uncertainty. A Low Uncertainty Avoidance ranking indicates the country has less concern about ambiguity and uncertainty and has more tolerance for a variety of opinions. This is reflected in a society that is less rule-oriented, more readily accepts change, and takes more and greater risks".
    Como vês a questão de tomar ou não riscos aparece como um dos possíveis corolários do indíce, não pertencendo à definição.
    Se o indíce for elevado a sociedade a que se refere tende a ser mais regulamentada do que outra sociedade de indíce mais baixo.
    Na prática isto saí muitas vezes ao contrário, como se vê na sociedade portuguesa, com um nível de legislação muito complexo que dificilmente funciona originando que a sociedade acaba por, na prática, ser pouco regulamentada.
    De qualquer forma isto é somente um indíce, é uma parte de um todo, não podemos extrapolar como fizestes.
    Mas, a leitura destes artigos deixou-me estupefacto. Fiz umas contas (quando acabar publico-as) e chego à conclusão de que Portugal é o menos europeu dos países da União Europeia.
    Os países com que Portugal mais se parece (ainda no âmbito destes estudos) seriam o Uruguay, El Salvador, o Chile, a Coreia do Sul, o Perú, a Turquia, a Grécia, a Espanha, o Brasil, a Costa Rica, a Argentina, a Guatemala, Taiwan e a Tailândia.
    Os outros países europeus estão muito mais distantes. O que estaria mais longe seria a Dinamarca...

     
  • At 2:26 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Eu nunca disse que o estudo referia-se especificamente aos empresários, mas às culturas nacionais.

    De facto a definição que tu encontraste nada tem a ver com a definição que eu tenho. Eu passo a descrever a definição que tenho. Sociedades mais aversas ao risco (título da classificação) favorecem a estabilidade em detrimento da iniciativa, têm regras mais formais em oposição a "qto menos regras melhor". Adicionalmente, continua a definição, desencorajam desvios (na propensão ao risco o desvio é uma oportunidade), procuram consensos e têm tendência à especialização, não à flexibilidade.

    As Dimensões Culturais de Gert Hofsted avalia a aversão ao risco vs a propensão ao risco, assim como outras dimensões culturais. As diferenças culturais e as organizações são explicadas pelo Modelo de Hofstede segundo a definição acima apresentada. De facto a definiçaõ que encontraste nada tem a ver com esta. Mas a conclusão é a mesma, já que a aceitação do risco e da mudança (com menos regras rígidas) é muito maior nos "Low Uncertainty Avoidance".

     
  • At 4:39 da tarde, Blogger O Raio said…

    Recolhi a informação do site oficial do guru, http://www.geert-hofstede.com/index.shtml
    Mais fiável não pode haver...

     
  • At 5:18 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Não altera as conclusões... uma cultura aversa ao risco e à mudança, com leis a mais.... o corolário também é aplicável

     
  • At 6:04 da tarde, Blogger O Raio said…

    Publiquei no meu blog, Cabalas, um comentário mais completo sobre este tema.

     

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