Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

domingo, setembro 12, 2004

(165) A responsabilidade de ser Outro Filho do 25 de Abril

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

Antes de mais queria agradecer ao Ricardo... Deixar alguém percorrer as páginas deste blog com o à vontade com que me deixou é um sinal de coragem! Muito me honra ter sido eu o escolhido. Espero que a minha passagem temporária neste blog seja tão proveitosa para vocês como vai ser prazerosa para mim...

Não esperem alguém no mesmo registo do meu antecessor. Acredito firmemente na liberdade criativa e da palavra e por isso esta passagem será mais uma acha na fogueira da diversidade, principal contributo deste 25 de Abril comemorado diariamente neste blog... O 25 de Abril é mais que uma data festejada, que uma Revolução encetada, que a instauração de um nova ordem política, é um estado de espírito, é uma forma de estar e de parecer, é a total desmistificação do desafio da diversidade e do cosmopolitanismo...

No entanto a forma do "bloggismo" traz uma nova dimensão à liberdade de expressão, tantas vezes considerada estéril, pois a voz popular muitas poucas vezes tem a veleidade de aspirar a ser ouvida, o que neste universo cibernáutico onde reina o anonimato e a fuga da responsabilidade da palavra, o "bloggismo" traz uma nova dimensão.

Mas que dimensão é essa?

Vou fazer duas considerações que considero pertinentes:

A primeira diz respeito à forma. O que é um blog desta natureza? Assemelha-se a uma conversa de café onde expomos e defendemos os nossos pontos de vista? A dimensão da palavra escrita, passada para formato papel ou digital, tem algo de imutável, de transcendente, que deixa de ser nosso para ser de todos. Ou seja, ganha um significado maior do que aquele para o qual foi construído, passa para o imaginário interpretativo da pessoa que o lê, mas não deixa de ter exactamente o mesmo número de letras, de sílabas, de palavras. Deixa de nos pertencer para ganhar uma nova vida, um novo objectivo. Assemelha-se a um ensaio ou a um trabalho escrito sobre um determinado tema? A ligeireza de um blog nunca pode ter a pretensão de algo exaustivamente estudado, a linguagem tem de ser necessariamente diferente de forma a atingir os objecivos pré-definidos. A universalidade deste meio de comunicação impõe também objectivos de generalidade, tem de ser compreendido de forma transversal por qualquer indíviduo de qualquer classe social, económica ou formativa.

A segunda diz respeito ao conteúdo. Assemelha-se a uma tentativa de dar voz a quem manifestamente não a tem, fruto de um modelo de representatividade política em que os seus representantes são apenas representativos do seu partido? O significado de um blog continua a ser extremamente limitativo neste aspecto. Faz lembrar os desabafos que temos com aqueles que nos são próximos dos quais não esperamos soluções, apenas queremos tirar o fardo, por vezes insustentável, das nossas frustrações com o mundo que nos rodeia.

A única conclusão que consigo tirar deste post é a razão para a qual me motivei para substituir o Ricardo neste blog (para além do facto de me ter convidado, o que me muito me honra), que é o prazer da comunicação. O comunicar abertamente e descomplexadamente acerca de qualquer assunto honrando a nossa individualidade e o nosso intelecto, sem ligar a pressões exteriores, é um enorme privilégio e também um enorme poder. Este espaço é um hino à liberdade de expressão garantida na nossa Constituição, ao qual tantas vezes renegamos com medo das consequências desse direito. O problema situa-se sempre em conformidade com aquela velha máxima: «Com grande poder vem sempre grande responsabilidade!»


1 Comments:

  • At 10:47 da tarde, Blogger polittikus said…

    Provavelmente se não fosse o 25 de Abril, não podias escrever neste blog.... Isso é liberdade. 1 abraço.

     

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