Filho do 25 de Abril

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sexta-feira, setembro 24, 2004

(172) Magnólia, de Paul Thomas Anderson

Acreditam no acaso? É bom que acreditem porque ele existe... aí estão todas as coincidências do mundo para o provar.

Como definir este filme? Cruel é insuficiente, realista parece-me simplista... só sei que esta película não oferece redenção às suas personagens, pelo menos aquela redenção utópica que nos habituou noutras produções de Hollywood. Aqui poucos alcançam a redenção e para lidarem com o passado têm que passar por um processo de humilhação, auto-flagelação e desespero com resultados incertos.

Veja-se a personagem interpretada pela (magnífica) Julianne Moore na cena da farmácia. Quem somos nós para julgar seja quem for? E a personagem do Tom Cruise ou do William H. Macy. Porque somos contentores de frustações inultrapassáveis? E quando já não há tempo para corrigir os nossos erros?

Paul Thomas Anderson realiza um filme que cresce contínuamente de tensão à medida que tudo se clarifica. A intensidade atinge níveis quase insuportáveis para as personagens e para o espectador. Esta obra prima da Sétima Arte tem um dos seus apogeus quando todas as personagens cantam "Wise Up" (Aimee Mann é uma das personagens deste filme) numa orgia de desespero e dor. Depois a chuva de sapos parece anunciar o fim da tempestade. Mas o coração das personagens não pára de sangrar... não existe o paraíso, apenas o conforto de quem acerta contas com o passado.

É doloroso ver este filme. É de tal forma realista que a decadência das diferentes personagens parece retratar a essência do ser humano, sem nenhum tipo de ilusão ou abstracção. É um dos meus filmes favoritos...

Termina com um sorriso, tímido mas não envergonhado!

2 Comments:

  • At 11:11 da tarde, Blogger polittikus said…

    Gostava de ver o filme que infelizmente ainda não vi...

     
  • At 11:08 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Assisti "Magnólia" há algum tempo, introduzida pelo meu namorado mais cinéfilo que tudo. Foi um dos filmes que mais me marcou. (tô com a visão sem foto, daquele colírio, imagino estar escrenendo tudo errado, tomara que entendaP. Bom, fato é que, há duas semanas, o tal namorado, infelizmente "orkutanomsaníaco", colocou o seguinte no perfil dele:

    "Eu realmente tenho muito amor pra oferecer, mas não sei onde colocá-lo..."
    Donnie Smith - interpretado por William H. Macy - em "Magnólia" (1999), de Paul Thomas Anderson


    Será que vc me dá uma idéia neste ´nível, meio que dando "um tapa de luvas". O mlhor ea que fosse do próprio filme, mas pode ser de n outros ou autoes, etc.

    Acho que vc aí, que mantém um blog, nunca deve ter dado uma de terapeuta/psiólogo, né? Bom, a primeira vez a gente nunca esquee, Se não me ahar muito loua, responda, por favor. Obrigada e foi bom apreciar seus gostos, muitos deles afins com os meus! Araços.

     

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