Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

segunda-feira, abril 04, 2005

(386) Ainda sobre a morte do Papa

Tem sido interessante vasculhar a blogosfera e ler os textos que foram escritos sobre a morte do Papa. Parece consensual que a grande maioria da população católica está satisfeita com o Pontificado de João Paulo II e, no fundo, é o que interessa reter. Mas também é verdade que a maioria da população não católica tem muitas críticas a fazer (como eu fiz) não deixando de respeitar o homem por detrás do Papa (com raras excepções).

Na minha opinião não podia ser uma análise mais positiva do trabalho do Papa, leia-se, agradar os católicos e ganhar o respeito dos não católicos. E os católicos deviam estar satisfeitos com as críticas construtivas ao Pontificado porque é na diferença de opiniões que a igreja pode crescer. Como já tinha dito os unanimismos são perigosos e estagnam as instituições e se não se levantassem as vozes críticas ficaria no ar a ideia de hipocrisia.

A minha visão do que é a vida é diferente da dum católico mas tenho consciência que vivo numa sociedade maioritariamente católica. Deste modo, como agnóstico, só tenho um combate contra a instituição católica. É um combate sem armas mas um combate que eu acho que devo ter, leia-se, por um respeito cada vez maior entre as diferentes concepções de vida e pela liberdade individual. Pela concretização dum verdadeiro Estado Laico. É que se eu acredito que a fé é importante (mesmo não a tendo) não acho que a sociedade deva ser construída sobre a sua influência.

A influência da Igreja é exagerada nas leis civis e é aí que eu combato a Igreja e não nos seus dogmas e crenças que respeito acima de tudo. Por isso olho com desconfiança para a sobreposição das crenças religiosas ao dever de garantir a liberdade individual. Liberdade essa que deve ser a base da sociedade, do meu ponto de vista, e não outros conceitos perfeitamente válidos mas que não têm nenhuma base nem científica nem natural. O Estado quer-se laico mas continua em muitos aspectos a não ser e sabemos bem os perigos que daí resultam pela nossa experiência histórica.

Aproveito este post para deixar claro que vou continuar a lutar contra a influência da Igreja nas leis, costumes e moral. Mas também aproveito para sublinhar que tenho um enorme respeito por quem tem fé, seja qual fôr a religião que a suporte, e que não é isso que quero combater. O que eu exijo é o respeito das minhas crenças da mesma forma que respeito as dos outros. E a única forma de garantir esse respeito das liberdades e direitos individuais é lutando por um Estado verdadeiramente laico, livre de preconceitos morais e religiosos.

* Tópicos Relacionados:
Memórias do Filho do 25 de Abril: Religião (entre outros textos explica porque sou agnóstico)

2 Comments:

  • At 4:31 da tarde, Blogger PF said…

    Ricardo, passa pelo teu mail. Um abraço.

     
  • At 12:21 da tarde, Blogger O Micróbio said…

    Este post faz-me lembrar o discurso daquele republicano que dizia a alta voz: "Enforcarei o último padre com as tripas do último bispo"...

     

Enviar um comentário

<< Home