Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

segunda-feira, maio 16, 2005

(410) Sala de Cinema: The Interpreter



Realizador:
Sydney Pollack
Elenco: Nicole Kidman, Sean Penn

Após seis anos de ausência é o regresso de Sydney Pollack à realização. Consegue juntar dois dos melhores actores da actualidade (Kidman e Penn) num thriller político feito “à antiga”, isto é, com um argumento e realização convencional a lembrar uma certa forma de fazer filmes que era muito comum há alguns (largos) anos. Mas a verdadeira estrela do filme não é de carne e osso apesar de também ter muita personalidade. Hitchcock tentou mas só Pollack conseguiu filmar no edifício da ONU.

O filme é extremamente agradável e consegue ter bons momentos de suspense. A química entre os actores principais tanto existe como desaparece e as interpretações individuais não estão ao nível dos melhores trabalhos dos actores (principalmente Kidman que não consegue convencer-me de que é a mulher que interpreta). A realização é eficaz apesar de não gostar das constantes desfocagens dos actores e cenários, voluntárias ou não.

Mas é o argumento que deixa mais a desejar. O esqueleto da história não é mau mas a execução podia ter sido melhor. As críticas à ONU são inconsequentes e ainda mais o são quando a solução que o filme propõe à resolução das injustiças mundiais parece-me tirado dum programa radiofónico do Howard Stern, leia-se, vamos juntar os líderes das facções dum país ditador de África em Nova Iorque e vamos matar um e prender o outro. Toda a história da personagem de Kidman é feita de pequenas incongruências que vão percorrendo o seu caminho de forma forçada e esforçada assim como o plano maquiavélico que Penn tenta evitar é estranho demais mesmo num mundo pós 11 de Setembro. Depois há a pedagogia simplista da praxe, o estereotipo de África e a ridicularização de outras culturas (num filme supostamente tolerante e cosmopolita as cenas com o português são inaceitáveis).

Síntese da Opinião: Um filme agradável mas muito aquém do que eu esperava de Pollack.

2 Comments:

  • At 10:40 da manhã, Blogger gonn1000 said…

    Não é excelente, nem sequer muito bom, mas dentro do género é do mais sóbrio e consistente que se tem feito nos últimos tempos. Vale o preço do bilhete...

     
  • At 12:26 da tarde, Blogger O Micróbio said…

    Esta tua opinião complementa-se com a que já tinha deixado no Micróbio... :-)

     

Enviar um comentário

<< Home