Filho do 25 de Abril

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segunda-feira, maio 30, 2005

(431) O “Não” Francês



A França recusou, sem margem para dúvida, o Tratado de Constituição Europeia. Lamento porque continuo a achar que era um bom documento!

Na minha opinião o real perigo duma Europa liberal pode resultar da não ratificação do referendo porque uma Europa com um espaço económico livre e com um único mercado sem instituições supra nacionais é que é uma concepção liberal da sociedade.

Fico sem perceber se depois de Durão ter dado tão forte contributo para o “Não” vencer em França se ele também quer contribuir para o fim da União Europeia ao insistir em apoiar referendos a um documento que morreu ontem. Não tem lógica! O "acordo" era claro! Se um país rejeitasse o tratado este era pura e simplesmente enterrado. Parece-me muito mais lógico esquecer a Constituição de vez e trabalhar para que se chegue a um acordo (de preferência simples e com menos páginas) quanto à reformulação do sistema de votação dos países na União Europeia para fazer face ao alargamento. Essa deve ser a nova prioridade da Comissão Europeia para que a Europa não paralise.

2 Comments:

  • At 1:16 da manhã, Blogger lazuli said…

    Ainda pertenço à classe dos indecisos, confesso. Entre os vários artigos que li, o comentário de Eduardo Lourenço, no Público de domingo (A débacle branca") chamou-me a atenção. Sobre a França e o seu "não", escreve na parte final:
    "(...) tudo -mesmo se é ainda a pátria dos Airbus futuristas-, a puxa para o passado. dela e da Europa. A relativa subalternização da terra de Moliére é a nossa, da Europa inteira. E só por ilusão alguns europeus sobem à custa dela.
    Talvez por isso este suicidário reflexo do "não" a uma Eropa desnorteada seja vivida pelos antigos filhos de Maio 68 como um sobressalto heróico. Por falta de confiança em si mesma, sem saber contra quem deve voltar-se, a França exorciza o seu pânico retirando-se do jogo europeu que ela própria inventou e sustentou. É possível que acorde - e depressa- desta euforia paranóica pseudo-revolucionária aberrante no conteúdo a surrealista na forma, como Le Penn e a senhora Buffet(secretária-geral do partido comunista francês)- como nos velhos tempos do pacto germânico soviético- de mãos dadas e com o suplemento da benção dos que já esqueceram o congresso de Tours. Nós, não. Esperamos que a "débacle branca", o balde de água fria do "não" francês, seja para a Europa adormecida nas suas ilusões, menos um futuro pesadelo anti-europeu que o começo de um repensamento da mitologia europeia que tem presidido à construção empírica e aleatória da Europa".
    Interessante..

    Um abraço*

     
  • At 1:41 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Viva lazuli,

    O artigo está soberbo. também espero que a Europa acorde e deixe de se auto mutilar.

    Beijos,

     

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