Filho do 25 de Abril

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segunda-feira, julho 31, 2006

887. Conflito Israel Líbano

Ter uma posição num conflito com estas características - ou melhor, assumir frontalmente a defesa de determinados valores - é algo perfeitamente natural. O que já me custa entender - e infelizmente os exemplos na blogosfera são inúmeros - é ser de tal forma intransigente na defesa dessa posição que os próprios valores que inicialmente justificavam essa posição deixaram de ser importantes.

É evidente que todas as guerras são "sujas" e é também claro que é inevitável haverem "danos colaterais" mas não devemos, na minha perspectiva, fazer um esforço intelectualmente desonesto - e inglório - para justificar todas - e reforço a palavra todas - as opções de quem "apoiamos". Este conflito tem uma história que não engrandece nenhuma das partes envolvidas e determinados actos, de ambas as partes, só agravam a escalada de violência. É certo que é fácil falar à distância e que é impossível imaginar viver num país em que o medo toma conta das nossas vidas mas, e este mas faz toda a diferença, não concebo como é possível haver tantas pessoas a fazerem uma ginástica mental irracional para defenderem o indefensável, para defenderem tudo aquilo que no seu âmago abominam.

O mundo não pode ser visto a preto e branco apesar de, por vezes, ser necessário sermos radicais nas nossas opções. Estou cansado de alertar que o terrorismo não se combate com a limitação das liberdades e com métodos parecidos aos dos que queremos combater. E os sucessivos exemplos de tortura, de massacres, de limitações dos direitos individuais e de intervenções sem qualquer nexo com o combate ao terrorismo só têm servido para enfraquecer a nossa posição.

Sem querer dispersar-me mais quero finalizar como comecei, ou seja, não percebo como é possível que, após apoiarmos um dos "lados", estejamos a dar carta branca a esse "lado" sem usarmos o filtro que nos separa dos "daltónicos com visão acromática", ou seja, um pensamento crítico.

6 Comments:

  • At 2:22 da tarde, Anonymous Netwalker said…

    Boa visão Ricardo!

    Só fico espectante dos resultados da industria de armamento no final de 2006.
    Que estarão a preparar para 2007?

    É sempre em torno disto que os conflitos giram.

     
  • At 6:31 da tarde, Anonymous Savonarola said…

    Concordo que a realidade não é preta nem branca. Também detesto simplificações, especialmente nesta matéria, tão vital para os dias que correm. No entanto, devemos reflectir seriamente sobre as nossas opções políticas e, porque não?, também reagir. Pelo meu lado, embora condene literalmente o terrorismo, logo, o Hezbollah, também condeno a acção militar de Israel.

    Gostei do artigo. Um abraço

     
  • At 8:39 da manhã, Anonymous henrique doria said…

    Concordo plenamente: ambos são maus e estúpidos. Milénios de História nada lhes ensinaram. Continuam a matar-se sob a palavra de Deus, que é até o mesmo. Um abraço.

     
  • At 9:05 da tarde, Blogger SAM said…

    Finalmente um comentário que não é demagogo e populista, nem reticente e indeciso, muito menos cego e constrido a uma visão redutora da realidade.

    Meus parabéns! Franklin já dizia: "não há tal coisa como uma má paz ou uma boa guerra".

     
  • At 10:39 da tarde, Blogger pedro oliveira said…

    Concordo, Ricardo. Há pessoas que tentam moldar a realidade à sua visão dos conflitos.
    Num conflito como este é difícil tomarmos partido embora Israel tenha um governo democraticamente eleito e um exército regular e o Hezbollah sejam terroristas perigosamente armados.

     
  • At 1:10 da tarde, Blogger O Raio said…

    Pedro Oliveira escreveu que:
    "Num conflito como este é difícil tomarmos partido embora Israel tenha um governo democraticamente eleito e um exército regular e o Hezbollah sejam terroristas perigosamente armados"

    Esta frase diz tudo sobre a cegueira que se apoderou de muita gente.
    Israel é um estado confessional tal como o Irão, um estado cofessional com eleições democráticas exactamente como acontece no Irão.
    A Arábia Saudita é um estado confessional sem resquicios de democracia. A Síria é, por sua vez, um estado laico governado pelo partido Baas.
    É importante percebermos isto. Não há, de nenhuma forma, superioridade moral de Israel sobre os estados vizinhos.
    Provavelmente o estado mais livre e democrático da zona é o Libano, o Libano que Israel está a destruir.
    Em última análise Israel caíu na armadilha dos extremistas muçulmanos e está a fazer exactamente o que eles querem, que atice ódios e destrua as instituições laicas.
    O fim, como refiro no meu blog (http://cabalas.blogspot.com) é perfeitamente previsível, a destruição do Estado de Israel. E, com os ódios que os judeus estão a semear, veremos provavelmente nova solução final para o problema judaico.

     

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