Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

segunda-feira, outubro 23, 2006

922. Urgências


É tudo menos inocente a divulgação que, supostamente, 40% das idas às urgências não se justificam. E só não aparecem estatísticas sobre a quantidade de internamentos injustificados porque isso seria por demais burlesco. Desta forma pode o Ministro da Saúde, através de declarações ou dum cuidado silêncio, escudado por estes números, dizer que, afinal, o que se justifica no meio de tudo isto é o aumento das taxas moderadoras. Puro engano!

Em primeiro lugar, e isso é claro, estas estatísticas não justificam a existência de taxas de internamento já que estas nunca poderão ser defendidas através da moderação por parte do doente (não é este que escolhe ser internado). Depois quem vai às urgências não é médico e não sabe, à partida, avaliar a gravidade do seu estado de saúde em múltiplas ocasiões (a quem já não aconteceu ser criticado por uma ida desnecessária à urgência e a quem já não aconteceu ser criticado por não ter ido lá mais cedo?). E, finalmente, se o utente/ doente vai sistematica e desnecessariamente às urgências é porque obtém lá algo que ou não lhe devia ser dado (justificações, atestados, medicamentos) e aí a responsabilidade é também do profissional de saúde ou porque não existem "barreiras" intermédias entre, desculpem o pleonasmo, a urgência duma urgência e a morosidade duma consulta.

É necessário combater as idas desnecessárias às urgências mas não através da dupla oneração (e dupla discriminação) do SNS, via impostos e via taxas, e da multiplicação da burocracia. E, mais importante, não é sério tentar encontrar justificações para uma medida que visa, de forma pura e simples, e unicamente, financiar o SNS. As medidas devem ser outras, porventura menos fáceis, e não é através de estatísticas lançadas convenientemente para a Comunicação Social que a minha opinião vai mudar. Há um cheiro de demagogia no ar o que não é uma surpresa porque isso geralmente acontence quanto se tenta defender o indefensável, camuflado por uma "nobre" tentativa do Estado em educar/ moderar o "povo".

7 Comments:

  • At 10:44 da tarde, Blogger pindérico said…

    Caro Ricardo
    Porque o silêncio também cansa, aqui estou de novo.
    Também eu comecei por defender este governo e elogiar a coragem que revelava. Só que já cansei -- como diria o brasileiro!!
    As justificações são sempre do mesmo tipo, com o seu qb de aparentes preocupações de equidade, mas sempre acaba no mesmo:-- medidas avulsas nos mais diversas áreas sem outra ambição que não a de ir buscar mais uns trocados a quem quer que seja e deixar de os dar mesmo a quem se não deveriam recusar!
    Honestamente, penso que começa a justificar-se fazer uma campanha a favor do aumento de impostos. Melhor dizendo, pela revisão do código do IRS, a bem da solidariedade nacional e como úníca forma consequente de evitar o aumento da conflitualidade social que inexoravelmente nos vai afligir a médio prazo.

     
  • At 11:07 da tarde, Blogger Ruvasa said…

    Viva, Ricardo!

    Estou contigo, não por ser adverso deste governo ( e de outros, cada vez mais ), mas porque entendo que estás com a razão toda.

    Abraço

    Ruben

     
  • At 3:28 da manhã, Blogger Joao said…

    É realmente muito mais fácil taxar o cidadão, seja através deste expediente ou de outro qualquer, do que atacar o problema na sua raiz: o despesismo do SNS.
    Se este governo é dos melhores que temos tido, como afirmas (e estou de acordo em absoluto), falta-lhe no entanto a coragem de tomar medidas verdadeiramente profundas que alterem de vez a ineficácia da Administração Pública no seu todo. Será para garantir a 2ª maioria absoluta?

     
  • At 1:25 da tarde, Blogger Rui Martins said…

    É verdade... Bem observado... Sim... Andam por aí "notícias fabricadas"... A tal "agência de informação do Governo" que Santanaz tanto queria criar e que afinal... o seu alter-ego "socialista" fundou com muito mais discrição e... eficácia.

     
  • At 3:36 da tarde, Blogger Barão da Tróia II said…

    Moderar o quê? Mas alguém vai a um sítio desses por gosto? Duvido.

     
  • At 12:55 da tarde, Blogger O Micróbio II said…

    As urgências agora estão noutro campo...

     
  • At 10:28 da tarde, Blogger Paulo Sempre said…

    Um blogue de paragem obrigatória!!

    Abraço
    Paulo

     

Enviar um comentário

<< Home