Filho do 25 de Abril

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terça-feira, novembro 23, 2004

(240) A Perda de Influência do Porto

O INE publicou recentemente (2004) um estudo interessante de nome “Sistema Urbano: áreas de influência e marginilidade funcional”. O objectivo do estudo é fazer uma hierarquia das funções chamadas centrais (reflexo da raridade dessas funções como, por exemplo, um stand de automóveis, pela sua raridade, é hierarquicamente superior a uma mercearia), calcular o Índice de Centralidade dos centros urbanos (ponderação das funções e as suas ocorrências) e, por fim, delimitar as áreas de influência dos centros urbanos (capacidade de atrair população à volta).

A hierarquia dos Índices de Centralidade apresenta dados curiosos. Lisboa, como seria de esperar, aparece destacada mas em segundo lugar aparece Vila Nova de Gaia relegando a cidade do Porto ao terceiro posto. Vamos analisar esta conclusão com cuidado, sem precipitações.

Em primeiro lugar dando destaque a algumas curiosidades. Dos quinze centros mais altos todos pertencem à Área Metropolitana de Lisboa e Porto (e nas proximidades deste) com excepção de Coimbra e Funchal. Após Lisboa é no Norte que se encontram os cinco centros com maior Índice de Centralidade (Gaia, Porto, Braga, Santa Maria da Feira e Guimarães).

Posto isto convém analisar com mais rigor o porquê de Gaia estar à frente do Porto nesta hierarquia. Em primeiro lugar este estudo não contém funções ligadas á cultura nem alguns serviços às empresas. Depois se combinarmos esta análise com o estudo das áreas de influência verificamos que a de Gaia, apesar do segundo lugar, é local, isto é, existe para servir a população local. Já o Porto tem uma área de influência mais fragmentada servindo, nas funções mais especializadas, 20% da Região Norte. O fenómeno Gaia é um fenómeno comum a Cascais, natural duma cidade periférica duma área metropolitana com uma cidade polarizadora como o Porto. Tende a servir a população local com um grande peso das funções menos especializadas. Bastava estudar o impacto dos Hipermercados para as conclusões ficarem mais claras.

Mas ao contrário de Lisboa e Cascais onde a diferença continua abismal a relação entre o Porto e Gaia já pode ser considerada mais equivalente. E basta morar numa destas cidades para perceber a vitalidade duma e a estagnação da outra.Talvez o que acontece no Porto esteja também a ser agravado por políticos inconsequentes, sem visão estratégica além doutros factores de natural mobilidade geográfica de pessoas e serviços. Falta ao Porto dinamismo em todas as áreas, das comerciais às culturais. Uma coisa os políticos não podem, felizmente, alterar numa geração no Porto. Falo da sua incomparável beleza arquitectónica e natural. Mas estão a fazer um grande esforço nesse sentido e eu, como cidadão, apenas posso tentar ser mais exigente!

4 Comments:

  • At 10:20 da manhã, Anonymous Anónimo said…

    Vivo na Guarda... esses índices ainda aqui não chegaram! :-)) E ainda bem!!!

     
  • At 2:12 da tarde, Blogger polittikus said…

    A diferença muito para além do nível economico dos habitantes das respectivas zonas, tem a haver com as acecibilidades, com o desenvolvimento das Juntas de Fregusia das aréas em questão... etc.

     
  • At 9:38 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    É um estudo interessantíssimo, nem que seja pelo facto de se fazer estudos em Portugal, tal como o relatório do INE, constatando o aumento da produção tomateira em Portugal.
    Uma autêntica bofetada de luva laranja, para quem diz não haver tomates em Portugal. Temo-los e até excedemos as cotas.
    Para evitarmos sanções da U.E., proponha que se substituísse a "Guerra de Laranjas", entre Porto e Gaia, por uma "Guerra de Tomates".

    Bravo INE ! Apetece-me um cálice de vinho de extraordinária qualidade, acompanhado de uns raros frutos secos.

    PS: Onde posso adquirir aqueles magníficos quadros, de arte abstracta, que embelezam os relatórios do INE ?
    SÃO BUÉ DE FIXES para contemplar com uma boa MOCADA!

     
  • At 7:36 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    gostaria de referir que o estudo tem dois fortes enviesamentos. O primeiro tem a ver com a escolha das chamadas funções muito especializadas ( a bolsa de valores é concerteza uma delas; centros de investigação também seriam ) afinal não serem assim tão especializadas. Em segundo lugar olhando para a área do Porto facilmente verificamos que esta não tem escala e consequentemente tem muito menos população.
    Por fim gostaria ainda de acrescentar que o Porto tem uma influência descontínua pois sofre uma concorrência muito forte no que a essas funções diz respeito.

     

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