Filho do 25 de Abril

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segunda-feira, novembro 14, 2005

619. Sala de Cinema: The Constant Gardener




Realizador: Fernando Meirelles
Elenco: Ralph Fiennes, Rachel Weisz

Fernando Meirelles – realizador brasileiro que fez a Cidade de Deus – dá, com este filme, um passo importante na sua carreira. Além de internacionalizar o seu trabalho prova que é capaz de gerir uma história de forma intensa em locais difíceis de filmar. Após a desistência de Mike Newell do projecto o realizador brasileiro aproveitou a oportunidade para fazer um filme que certamente seria muito diferente nas mãos doutro realizador. Há já uma imagem de marca visual nos seus filmes que separa as águas entre os “tarefeiros” da Sétima Arte e aqueles que têm potencial para criar algo diferente.




O tema deste filme não é muito diferente do último filme que fui ver à sala de cinema – Lord of War - mas a abordagem é completamente diferente. É claro que a situação em África é, sobre todos os pontos de vista, inaceitável e parece que o tema começa a interessar Hollywood. E o que começou por ser uma série de filmes algo marginais à indústria americana começa agora a ganhar um lugar de destaque. A abordagem deste filme é diferente porque consegue humanizar não só os habitantes dum país africano – não vou generalizar porque este filme passa-se no Quénia e não sei onde foi filmado – mas também o local em si dando-lhe cores fortes e um ambiente personalizado. E é aqui que o filme tem os seus pontos mais fortes.

Mas há sempre um mas! A história demora muito a arrancar e apesar de não ter lido o livro em que esta história baseia-se – The Constant Gardener, John Le Carré – não acho que o primeiro terço do filme em mosaico tenha funcionado muito bem. A única constante de qualidade do filme foi o aspecto visual (não só em África mas também em Londres) e os seus actores. Porque a história começa por ser confusa e nem sempre bem gerida para depois dar lugar a uma “cabala” de contornos muito simples e esquemáticos. E confesso que cenas como a da igreja – no fim do filme mas que por motivos óbvios não vou revelar o conteúdo – conseguem irritar-me profundamente. Alguém imagina que algo aconteça daquela forma ou que sequer a cena tenha utilidade para potenciar o drama ou o trama?

Síntese da opinião: Apesar de alguns defeitos no argumento (e talvez na montagem) sobressai, mesmo assim, a qualidade do aspecto visual e dos actores!

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