Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

quinta-feira, novembro 24, 2005

635. Brumas da memória: Anarquia - Desmistificar o conceito

Quando ouvimos a palavra Anarquia o medo instala-se, o caos está próximo, é o princípio da desordem. Não, somos apenas ignorantes e não sabemos o verdadeiro significado das palavras. Vamos todos aprender.

A Porto Editora, na sua sabedoria infinita e já muito gabada aqui, define Anarquia como uma concepção política que exclui todo o direito de coerção sobre o indivíduo, é a negação do princípio da autoridade. Pois bem, faço destas palavras minhas mas acrescento qualquer coisinha, se me é permitido. Anarquia não é a ausência de ordem, é a ausência de líderes!

Anarquia não é mais do que um estado de ordem voluntário já que a ordem involuntária cria insatisfação, é a mãe de todas as desordens. Portanto não é caos, é o contrário do Fascismo onde o culto ao chefe é o cerne do regime. Daqui para a frente, sempre que uma catástrofe natural acontecer, ou que a juventude vote no Bloco de Esquerda, ou que o Paulo Portas torne-se ministro, não chamar a isso uma Anarquia, mas sim uma perplexidade! Mas quando houver um vazio de poder, um Presidente pouco ouvido ou actuante (qualquer semelhança com qualquer realidade é a mais pura das coincidências) aí sim podemos dizer que há um cheiro de Anarquia no ar, uma ausência de líderes.

Mas também há um aforismo (procurar na entidade, a Porto-Editora) antigo que diz que quanto mais aguda e intransigentemente formulamos uma tese tanto mais irresistívelmente ela clama pela sua antítese. É o seu trabalho, não o meu.

Publicado originalmente em: Maio de 2004

7 Comments:

  • At 12:46 da manhã, Anonymous Max @ Devaneios Desintéricos said…

    Amigo Ricardo,

    Uma amiga minha costumava dizer-me que "a anarquia é a suprema forma de organização". Bem verdade, hein?

    Continua o excelente blog
    Um Abraço

     
  • At 2:00 da tarde, Blogger O Raio said…

    Caro Ricardo,

    Respeito muito a minha costela anarquista e choca-me a confusão entre anarquia e desordem ou caos.
    Em princípio evoluímos num triângulo equilatero cujos vértices são autoritarismo, caos e anarquia.
    Na minha modesta opinião a democracia é o centro desse triângulo, equidistante do autoritarismo da anarquia e do caos.
    Uma sociedade democrática tem sempre cheiros de autoritarismo, de anarquia e de caos.
    Actualmente o vértice do autoritarismo encontra-se com uma força de gravidade muito grande, demasiado grande...

    Um abraço

     
  • At 3:16 da tarde, Blogger antitripa said…

    Anarquia onde?Não queres dar exemplos de anarquia? A maioria dos portuguêses acha que o maior exemplo de anarquia pode ser visto na função pública, infelizmente é essa a imagem que lhes é transitida pela comunicação social. porque estou cansado desta imagem deixo o meu desabafo. Sou funcuionário público e é pena que não se saiba que nós (com muita frequência) fazemos mais 5, 6, 7 horas por semana (porque ficamos a trabalhar até mais tarde de livre e espontânea vontade), afinal a anarquia vista por este prisma traz muitas vantagens porque ninguém nos manda ir para casa à hora certa.Certo?

     
  • At 4:35 da tarde, Blogger O Raio said…

    Meu caro Antripa,

    Tens toda a razão. A guerra contra a Função Pública tem por objectivo privatizar o maior número possível de funções de forma a que empresas privadas deitam a mão ao bolo. Isto com prejuízos óbvios para o Estado e para os contribuintes...


    Um abraço,

     
  • At 12:08 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Max,

    Obrigado pelos elogios que estendo ao teu blogue.

    Abraço,

     
  • At 12:10 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Raio,

    Gosto da tua perspectiva sobre a anarquia... é interessante e original!

    Abraço,

     
  • At 12:14 da manhã, Blogger Ricardo said…

    antitripa,

    Obrigado pela visita.

    Sobre a função pública tenho escrito aqui muita coisa e nunca chamei ninguém ou de incompetente ou de laxista. Mas há muitos problema sna função pública que têm que ser combatidos. A desmotivação, a desorganização na gestão, a má distribuição de recursos e pessoas, algumas regalias cumulativas, a ausência do mérito.... e exigir estas reformas não é nem apelar à privatização nem é menorizar quem lá trabalha e muito menos um exercício de comparação com o sector privado.

    Abraço,

     

Enviar um comentário

<< Home