Filho do 25 de Abril

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segunda-feira, janeiro 16, 2006

710. Balanço Provisório das Presidenciais 2006



Começa a chegar a hora certa para fazer um balanço - ainda que provisório - do que já aconteceu até agora nesta campanha eleitoral.

Uma eleição com estas características, ou seja, muito personalizada, é sempre uma campanha muito diferente de qualquer outra das que costumam realizar-se em Portugal. E aproveito já esta deixa para sublinhar que houve um candidato que não percebeu ou não quis perceber as características deste tipo de eleições. Falo de Francisco Louçã. Não é que as questões que este candidato trouxe a debate não sejam importantes mas eram as mesmas de outras eleições, ditas com o mesmo tom, feitas não à procura de consensos - como o cargo obriga - mas à procura de rupturas como se esta eleição fosse uma eleição ideológica, algo que nunca chegou a ser.

Depois temos o candidato que, qual Dom Quixote, procura encaixar o seu quadrado no rectângulo português, ilhas incluídas. A campanha de Manuel Alegre teve várias fases e beneficiou do seu ar sereno e constante ao longo do tempo. Numa primeira fase enredou-se em falsos sinais de independência com toques visíveis de revanchismo. Ao querer colocar-se ao centro quando o eleitorado identificava-o como a reserva de esquerda do PS fez um erro táctico e se adicionarmos a isso a sua não comparência na votação do Orçamento fica explicada a sua queda nas intenções de voto no final de 2005. Mas o ano de 2006 fez bem a este candidato por mérito próprio mas também porque a estabilidade de Cavaco nas sondagens desmobilizou o voto útil - que não tem lógica nestas eleições mas que é um factor a ter em conta - e concentrou nele um voto de protesto. Aqui jaz uma das incongruências da campanha, ou seja, Alegre surge como o homem que não está no sistema apesar de sempre ter lá estado e de o ter criado também à sua imagem. Manuel Alegre encontrou, já em 2006, o tom certo para a sua campanha e está em franca recuperação.

Mário Soares, por outro lado, sofreu do problema que a esquerda tem sofrido sempre que Cavaco Silva concorre. Ninguém, eu incluído, percebe a atracção que Cavaco Silva provoca num certo tipo de eleitorado e Mário Soares certamente nunca vai perceber isso. Com o seu passado - brilhante a todos os níveis - não precisava ter feito uma campanha, ao mesmo tempo, tão defensiva quanto à sua pessoa (um dia ainda vou escrever com mais pormenor sobre a questão da idade em Portugal) e tão agressiva quanto ao outro candidato. Pareceu um candidato crispado quando foi, em toda a sua vida política, um político moderado. É pena porque, na minha opinião, é dos poucos candidatos que tem uma visão mais alargada dos problemas - e não tão vaga ou técnica como outros candidatos, no plural - e dos poucos que consegue contextualizar os problemas no grande quadro e não só na pequena mercearia. Também é o único candidato que, na minha opinião, sabe ler e entender o papel que o Presidente da República deve ter. O seu debate com Cavaco Silva foi esclarecedor em dois pontos, ou seja, ao mesmo tempo mostrou que Cavaco é um deserto de ideias mas também mostrou que não esteve preocupado em expor as suas. Pensou, talvez, que uma vida inteira no palco político bastava para que soubessem o que pensa esquecendo-se que precisamos, em todos os momentos, de sermos mobilizados.

Cavaco Silva é como uma caixa de chocolates, nunca sabemos o que vamos tirar de lá. A sua postura perante a vida - não só a política - merece o meu maior respeito. Sempre o considerei uma pessoa séria, mesmo nos momentos em que aceitava ir a convite da Nestlé a óperas no estrangeiro. Desenganem-se aqueles que pensam que Cavaco não é um político e será, porventura, dos mais profissionais que conheço. Aparece na hora certa - a mais tardia possível - e comporta-se como qualquer gestor de imagem gosta, ou seja, não comete erros porque segue em linha recta - hirto e firme - como uma máquina que coloca uma peça numa engrenagem vezes sem conta. Por isso mesmo Cavaco é uma figura enigmática, porventura o político mais misterioso da nossa democracia. Ninguém conhece-lhe um excesso, uma ideia ou um impulso. Mesmo na sua profissão é um economista que não arrisca, não reflecte, não inova. E, ao mesmo tempo, parece-se tanto com qualquer um de nós. E é dessa imagem, do self made man, do homem pobre que lutou, do homem que é a essência do nosso Portugal esquecido que pode estar a explicação para os sucessivos sucessos políticos de alguém que não é bom orador, que não diz nada de novo, que não tem luz própria. A sua própria ignorãncia perante a cultura dá-lhe um ar menos elitista, mais humilde e, estranhamente, funciona a seu favor na identificação com o homem comum (que também não sabe “quantos Cantos tem os Lusíadas, ou que Thomas Moore e Thomas Mann, não são a mesma pessoa, nem parentes, nem viveram na mesma época” - Anónimo dixit). Cavaco fez, sem dúvida, a campanha perfeita porque soube falar para o português que está sem esperança, que está desempregado, que está inseguro, que não compreende os novos desafios. Não mobiliza ninguém pela positiva, mas sabe assustar porque foi sempre ele que avisou que as desgraças iam chegar um dia. Ele que é apenas um homem comum, que não é socialista mas canta a 'Grândola, Vila Morena', que não é comunista mas sabe que O Povo é quem mais ordena, que não é liberal mas que defende mercados liberais, que não é social democrata mas que não quer que sectores estratégicos da economia saiam de Portugal e aconselha ao Governo a criar mais Secretarias para controlar o tal mercado liberal! Quem é Cavaco Silva? É o homem que ganha eleições por razões que são tão distintas que se tornam rivais... é o homem do passado que não inova mas que não deixa as coisas piorarem... é o homem seguro que por não arriscar não erra (se não considerarmos, claro, que não arriscar é errar)... é o nosso mais puro reflexo!

Deixei para o fim Jerónimo de Sousa! Não foi por acaso! Apesar da sua candidatura nascer dum comité central e apesar das suas ideias para Portugal estarem a precisar duma clara actualização é um homem que irradia simpatia. É impressionante como Jerónimo de Sousa tem invertido a queda do PCP e isso tem uma explicação muito simples, ou seja, quando ouço Jerónimo a falar noto uma convicção que vem do fundo da sua agnóstica - presumo - alma! Mesmo sem concordar com o que defende e mesmo sendo incapaz de assinar por baixo a maioria das suas propostas, estou a aprender a gostar dum estilo de autenticidade que parecia extinto na nossa política! Não deixa, porém, de ser uma candidatura com objectivos que não estão em sintonia com o que está em discussão nesta campanha.

18 Comments:

  • At 3:05 da tarde, Blogger inês. said…

    então e o garcia pereira??

    "discriminação" :P

     
  • At 3:13 da tarde, Blogger Fernando said…

    Curioso. Não consigo concordar com a análise que fazes de nenhum dos candidatos. Com nenhum, sublinho. Opiniões. Agora não tenho tempo, para deixar a minha opinião, deixo isso para outra altura.

     
  • At 3:21 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Carocha,

    Realmente tens razão! Não sei se fui influenciado pelos meios de Comunicação Social ou se foi puro desleixo meu, mas não tenho opinião formada de Garcia Pereira. Apenas digo que fiquei algo surpreendido com o tipo de declarações que produziu na Madeira...

    Um beijo,

     
  • At 3:27 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Fernando,

    Não é curioso! É algo absolutamente normal. Ao contrário de Cavaco Silva discordo que duas pessoas informadas sobre um tema tenham que chegar necessariamente a uma conclusão igual! Isso seria a negação da pluralidade, o início do homem como um carneiro!

    Quanto ao candidato que apoias considero que tem um papel essencial na nossa vida política! Acredito que desempenha uma política de denúncia que dá voz a minorias, que representa uma esquerda diferente e combativa, que veio mudar o panorama político português. Mas acho, e muito sinceramente, que não conseguiu fazer a transição entre o Louçã candidato a deputado com o Louçã candidato a Presidente da República. E provavelmente também não era esse o seu objectivo.

    Abraço,

     
  • At 4:54 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    Ricardo, concordo quase totalmente com as tuas análises, existe apenas uma frase que não tem a minha concordância e que é a que compara Cavaco a uma caixa de chocolates pela imprevisibilidade do que se vai encontrar dentro.

    Eu compararia mais Cavaco a um daqueles pacotes surpresa para festas de aniversário e em que geralmente o que vem no interior é algo de baixo valor e sem interesse. A superficie de Cavaco é a de um homem frio e tecnicista, mas analisando a sua postura verifica-se que é mais um homem azedo e de competência duvidosa (é fácil parecer competente com milhões a entrarem diariamente em Portgal por via dos subsidios)

    Sendo um homem azedo, é para mim impossível compará-lo a uma caixa de chocolates.

    Um abraço e boa semana.

    PS: Na visita à Costa Nova, almocei um belissima fritada de peixe com arroz de grelos e uma caldeirada de enguias de chorar por mais!

     
  • At 4:55 da tarde, Blogger Platero said…

    Desculpa, mas saiu anónimo mas fui eu que escrevi.

     
  • At 5:11 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Platero,

    Também há aquelas caixas de chocolate amargo. Não é propriamente azedo mas faz de conta, para bem desta analogia!

    O seu papel durante uma década em Portugal não foi um desastre apesar de ter ficado um travo amargo de oportunidade perdida. E ficou aquela sensação, para mim, que quanto mais tempo Cavaco Silva ficasse no poder mais o Estado ia engordar e menos ia ser reformado e reformulado. O pior é que o segundo mandato de Guterres e os Governos de Durão e Santana aumentaram o saudosismo por tempos em que o futuro não era tão incerto. Nesta medida, Cavaco apareceu na hora certo e no momento certo. E tem tido a inteligência de gerir essa imagem - logro ou não - com eficácia mecânica!

    Um abraço,

    P.S. Da próxima ou estás disposto a trazer-me uma amostra dos teus roteiros gastronómicos ou vou exigir silêncio monástico quanto a essas refeições que abrem o apetite, hehe

     
  • At 6:51 da tarde, Blogger martelo said…

    lamentavelmente, penso que a análise sobre Cavaco não corresponde à sua própria realidade... ele tem ,sim , uma ambição pouco dissimulada e a caixinha de surpresas, se for ele, vai causar grandes amargos de boca, mesmo àqueles que comprarem esse chocolate...
    a "democracia possível" tem destas coisas, a de podermos(??) dizer o que pensamos e quando discordamos.

     
  • At 7:30 da tarde, Blogger Bruno Gonçalves said…

    "Ao contrário de Cavaco Silva discordo que duas pessoas informadas sobre um tema tenham que chegar necessariamente a uma conclusão igual!"

    Ele disse mesmo isso?

     
  • At 10:47 da tarde, Blogger Fernando said…

    Louçã
    Dizes que as questões que trouxe a debate são importantes, mas que não são próprias destas "eleições que visam procurar consensos- como o cargo obriga..."
    E como se chegam a consensos não é discutindo os problemas? E quais são os problemas da actualidade que são precisos para chegar a consensos? Não é a sustentabilidade da segurança social, o desemprego, a europa? Não são estes os grandes problemas com que o País se confronta agudamente nos próximos tempos? Quem se propôs discutir isto? Não sendo isto o que deveria ser discutido nestas eleições? Os poderes presidenciais? E ficavamos por aí? Mas isso parece ser pacífico, todos "defendem" o actual modelo de poderes presidenciais, e além disso também não cabem nas suas competências mudá-lo. Como conhecer o perfil político, psicológico ou técnico dos candidatos? Como, se não debatendo os grandes problemas do País? Como saber as suas respostas, as responsabilidades de cada um, ou as suas competências, ou encontar os consensos, se não falar sobre estes assuntos que irão marcar os próximos tempos e onde, de facto, são preciso os maiores consensos? Quem discutiu o quê? Louçã, fêz uma campanha dedicando todas as semanas, um tempo para um tema: Segurança Social, Emprego, Ambiente, Cultura, Tecnologias, Educação, Europa e muita campanha de rua, visitando empresas, ouvindo trabalhadores e admnistradores, tomando conhecimento dos problemas e dificuldades dos interlocutores, dando a conhecer o seu pensamento. O que se espera mais de um candidato presidencial ou de diferente? Louçã tem mostrado ser um socialista moderado, mas firme nas convicções e por isso exigente e combatente como deve ser quem acredita nas causas porque se bate.
    Louçã fêz por merecer o seu voto e até uma figura em relaçãoao Louçã, insuspeita, o Miguel Sousa Tavares, reconheceu no Expresso que se há alguém que merece o voto é F.Louçã, pelo conhecimento, preparação e temas que trouxe ao debate.
    Alegre
    Concordo com a análise em parte. Não me parece que mantenha sempre um tom sereno e constante. Foram visiveis as suas crispações e arrogância, quando contrariado (Jerónimo, Soares, Matilde Sousa Franco, primeiras sondagens e agora Louçã- num ataque calunioso). Não me parece que a recuperação nas sondagens tenha a ver com o mérito próprio, longe disso. Alegre beneficia do desencanto com a governação do Sócrates, da divisão no PS, nos tropeços e na idade de Soares (e nos anticorpos que tem na esqueda)e aí com habilidade, a que talvez chames mérito (mas com muito oportunismo) da exploração do sentimento antipartidos (quando reclamou o apoio partidário)e aparelhos (ele um aparelhista de sempre) e de uma agora "independência". Talvez o candidato que menos fez para merecer o voto. Perdi algum respeito que ainda tinha pela pessoa. O político já me tinha desiludido. Sobra o escritor.
    Soares
    Como Louçã, não fosse a idade, a sua experiência, o seu conhecimento global e variado dos grande problemas da civilização e do mundo, as preocupações sociais, daria, novamente um bom presidente. O seu passado não é muito linear (mas aceito que não coloques nenhuma objecção- não é o meu caso)e o deslocamento que fez para a esquerda, não o beneficiaram, por força de uma grande campanha de orquestração e manipulação, contra a sua figura, fazendo lembrar tempos que estavam arquivados na memória colectiva. Não perde por ter tido essa posição na sua acção recente ou pela agressividade no debate (acho que esteve bem - embora neste contexto perdeu -mas essa campanha Ad hominem, deram cabo dele), a par do aparecimento da candidatura de Alegre. Seria o meu segundo candidato.
    Cavaco
    Não me merece, ao contrário de ti, nenhum respeito, quanto mais o mâximo. Dele sei o que esperar, não preciso abrir a cx de chocolates.
    Criou uma personagem. A que referes. Mas o seu passado de governante fala por si. Eu não me esqueço daquele tempo. Nas ruas, nas universidades, nas empresas,o ambiente era brutal e persecutório. Não acrescentou nada ao país, a não ser obras megalomanas, agumas desajustadas e não prioritárias. Não soube aproveitar os fundos comunitários para criar o futuro; os fundos comunitários foram desbaretados, empresários sem escrúpulos, nas empresas, em pretensas acções de formações, sacaram o estado, descapitalizou a SS, criou o "monstro" segundo o seu ministro das finanças. Nas empresas o medo imperava.
    Jerónimo
    Talvez o único candidato a que te referes que pudesse assinar por baixo. Quero acreditar que tudo é genuíno, mas isso implicou uma grande transformação no homem que votou favoravelmente todas as exclusões por delito de opinião no seu partido.
    Tem ganho com o carisma e a simpatia indúbitável que transmite.

     
  • At 12:37 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Martelo,

    Não vou fazer futurologia! Posso até estar enganado! Não quero assustar ninguém! Por isso não vou prever amargos de boca!

    Diria até que não existem bruxas! Mas que elas voam, lá isso voam...

    Abraço,

     
  • At 12:53 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Bruno,

    Não consigo descobrir a transcrição na RTP desta magnífica frase. Mas para não haver dúvidas podes consultar o que encontrei pelo google:

    Transcrevo: “Duas pessoas sérias com a mesma informação têm de concordar”. (Cavaco dixit)
    (em http://agualisa4.blogs.sapo.pt/arquivo/872027.html)

    já dizia o Cavaco que duas pessoas com a mesma informação ...
    (em http://ablasfemia.blogspot.com/2005/12/subsdio-ao-preservativo-e-assimetria.html)

    "Duas pessoas sérias com a mesma informação, têm de concordar."
    Cavaco Silva, na RTP, em 2 de Dezembro de 2005.
    (em http://atuleirus.weblog.com.pt/arquivo/2005/12/principio_de_ca.html)

    Agora transcrevo o lema do meu blogue que está no seu cabeçalho desde o início:

    "Reflexões e reflexos da vida na Terra! Todos nós temos incertezas, opiniões e reflectimos... a piada da vida é que ninguém tem certeza sobre nada, todos têm uma opinião diferente e todos, ao reflectir, chegam a conclusões diferentes... Viva as nuances da vida, expressas em liberdade!"

    Como escrevi num comentário no Espectro: " É a negação das ideologias, é a negação da criatividade, é a negação do próprio pensamento!"

    Abraço,

    P.S. Já reli este texto e não encontrei essa frase. Leste-a num comentário que fiz a outro blogue? No Espectro?

     
  • At 1:14 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Fernando,

    1. Realmente o que escrevi não reflecte exactamente o que queria dizer. Não é que nestas eleições não se deva discutir certos assuntos mas sim que nestas eleições estamos à procura dum árbitro, de alguém que seja capaz de mediar as diferenças ideológicas que nascem, por exemplo, do Parlamento. Provocar a ruptura na discussão desses temas numa eleição com estas características tem, na minha opinião, pouca utilidade;

    2. Sem dúvida que Louçã levantou muitos problemas importantes para o nosso futuro colectivo - e para o futuro colectivo do mundo - e também concordo contigo que estas eleições não devem servir só para falar dos poderes presidenciais mas, há sempre um mas, o que acho que não funcionou (é a minha percepção) foi o tom e o estilo. Louçã continua a funcionar melhor como contra poder, como alguém que denuncia e fiscaliza o poder e não como alguém que tenha a serenidade suficiente para ocupar o poder. Mas isso é positivo para a nossa democracia e eu só disse que não me parece o ideal neste tipo de eleição;

    3. "Louçã tem mostrado ser um socialista moderado, mas firme nas convicções e por isso exigente e combatente como deve ser quem acredita nas causas porque se bate." Revejo-me, em parte, nas tuas palavras. Só nunca gostei do discurso. Mas, repito, talvez seja o discurso natural dum partido em crescimento;

    4. Quanto a Alegre é verdade que as últimas "confusões" com a viúva de Sousa Franco e com Francisco Louçã colocaram em causa a sua imagem serena;

    5. Quanto a Soares espero que seja o teu segundo candidato. É mais um desejo que uma crença. Quanto ao seu passado não há ninguém que seja uma figura consensual e muito menos quem participou em tantos momentos importantes para o país. Nesta campanha não teve a estratégia correcta;

    6. Eu acho Cavaco um homem sério com uma visão da sociedade pouco moderna. Esse clima de que falas que revela autoritarismo e falta de compreensão de alguns princípios do contraditório revelam um Portugal que nunca soubemos ultrapassar! Há um saudosismo enorme, neste período de incerteza e de crise prolongada, por aquelas figuras que nos protegiam das guerras e da fome. Se isso é um logro ou não, não interessa... é o desejo popular! É o país que amamos e odiamos! Mas não duvido da sua seriedade;

    7. É verdade que o partido comunista tem uma liberdade sui generis mas o homem Jerónimo é um político surpreendente. Simples mas sem espinhas! Autêntico e sem logros! Está de parabéns. Apesar disso nunca terá o meu voto porque acredito que não é o melhor caminho para chegar ao futuro que eu desejo...

    Obrigado pela participação,

     
  • At 12:28 da tarde, Blogger Bruno Gonçalves said…

    Não era necessário uma tão extensa e elaborada bibliografia... Bastava um sim!

    "Já reli este texto e não encontrei essa frase. Leste-a num comentário que fiz a outro blogue?"

    Não foi mesmo neste blog, num comentário que fizeste neste post às 3:27 PM... ;)

    Abraço

     
  • At 3:22 da tarde, Blogger Senador said…

    Ricardo,

    Excelente análise dos diversos candidatos e candidaturas, se bem que como tu sabes tenho opinião diferente de ti relativamente a dois candidatos que deves calcular quais são.
    Aquilo que escreves de Louçã e jerónimo é um sentimento que partilho totalmente contigo.

    Abraço

     
  • At 3:29 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Bruno,

    Devo andar deveras distraído que já nem sei onde escrevi o que tinha acabado de escrever.

    Não tens umas pastilhas para a memória de curto prazo? ;)

    Abraço,

     
  • At 3:31 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Senador,

    Calculo que sei onde estão as nossas divergências. Não faz mal, estamos em Democracia!

    Quanto a Louçã e Jerónimo respeito os dois como políticos apesar de serem bastante diferentes (como respeito todos os candidatos). Simplesmente acho que um deles foi mais feliz nesta campanha que o outro!

    Abraço,

     
  • At 4:05 da tarde, Blogger Bruno Gonçalves said…

    "Não tens umas pastilhas para a memória de curto prazo? ;)"

    Por enquanto acho que não será necessário... ;)

    Abraço

     

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