Filho do 25 de Abril

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domingo, novembro 12, 2006

926. Uma velha dívida...

O que acontece nos EUA, para o bem e para o mal, tem influência no mundo e, quer se queira ou não, este é o principal motivo da relação amor/ódio que nutrimos por este país. Muitas vezes a crítica é injusta porque quem está paralisado ou não tem coragem para agir não deve atirar pedras a quem escolhe estar exposto ao risco. Tem sido assim ao longo das últimas décadas, concretizando, a "Europa" critica hipocritamente o país a que sempre recorre quando está em apuros. Posto isto desengane-se quem pensa que estou a defender a administração Bush mas simplesmente não quero que esteja em causa o mérito do país EUA em ter chegado ao grau de influência que tem hoje no mundo.

Invadir o Iraque colocou em cheque grande parte do apoio, hipócrita ou sincero, que o mundo dava aos EUA para gerir os nossos "backyards". Esse tal apoio hipócrita que o mundo ocidental sempre deu, de uma forma ou outra, com maior ou menor equidistância, esbarrou na cegueira pós 11 de Setembro que atingiu a administração Bush. Num momento crucial do combate ao terrorismo que teve na invasão do Afeganistão o seu desenrolar natural surgiu uma batalha que não faz nem fez sentido para ninguém: a invasão ao Iraque.

O mundo não é um lugar perfeito. Num mundo perfeito derrubar o regime de Saddam seria uma prioridade. Mas num mundo minado por equilíbrios regionais frágeis e cuja prioridade é o combate ao terrorismo não é compreensível que tenhamos enveredado pela opção que, desde o princípio, sabíamos que não tinha defesa possível nem qualquer tipo de sustentação. Nunca vamos saber a(s) verdadeira(s) razão(ões) para a invasão ao Iraque e o que levou à deliberada distorção da percepção da opinião pública mas hoje é fácil fazer um balanço e, infelizmente, a invasão ao Iraque não teve qualquer utilidade: o país está em pré guerra civil, a Al Qaeda ganhou um palco a que nunca tinha tido acesso, o Irão ganhou influência regional e recursos indispensáveis para o combate ao terrorismo são, todos os dias, lá desperdiçados. Hoje nenhuma, nem uma, das razões "oficiais" ou "oficiosas" que justificaram a guerra foram provadas ou são sequer uma hipótese credível.

Não vou, demagogicamente, afirmar que os norte americanos castigaram Bush porque o mundo é um sítio "pior" depois da guerra. A verdade é que os norte americanos não estão preocupados se o Iraque está ou não estabilizado mas sim com a duração da intervenção que mina os orçamentos estatais sem fim à vista. Os democratas ganharam porque defenderam que a intervenção do Iraque nunca devia ter começado mas não apresentaram, para além da retirada, um só plano para a solução do problema no Iraque. Eu também defendo, sempre defendi, que a guerra no Iraque era uma oportunidade perdida no combate ao terrorismo mas neste momento só sei que a pior solução para o mundo é deixar o Iraque entregue a si próprio. A administração Bush cometeu um erro colossal mas a "solução democrata" implica um erro de ainda piores proporções. É nesta fase que se exige ao mundo ocidental apoio ao seu mais velho aliado porque é a "nossa" obrigação agir no nosso interesse colectivo mesmo que isso implique uma intervenção num cenário que todos sabemos que não devia ter sido criado. A "Europa" - a velha ou não - não pode assistir com regozijo ao definhar da situação porque não basta afirmar, com paternalismo e satisfação mal disfarçada, que a "razão" é "nossa" pelo simples motivo que o que hoje afecta os EUA e o mundo vai-nos afectar na manhã seguinte. Chegou a altura, popular ou não, de começar a pagar uma velha dívida...

1 Comments:

  • At 11:42 da tarde, Anonymous Carlos Indico said…

    Atenção: de acordo com as Sondagens Bush foi derrotado em 2º lugar pela Intervenção no Iraque, mas a 1ª foi a Corrupção no Estado Federal!
    É triste, mas é verdade.
    Uma Guerra sem data final, custa 1 bilião de $ por dia, não tem retorno do Investimento.
    E o pricipal beneficiário é o vice Dick & Parceria.
    Não cheira a esturro???

     

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