Filho do 25 de Abril

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sexta-feira, dezembro 22, 2006

948. Falsa solução para o país: Movimento 560

É natural que, perante a situação económica do nosso país, surjam movimentos que, com a melhor das intenções, tentem reverter o declínio comparativo do país. Mas de boas intenções, desculpem a frieza das palavras, está o inferno cheio. Movimentos como o Movimento 560 - que incentiva a compra de produtos portugueses através da identificação do nosso país no código de barras - é, no mínimo, ingénuo e inconsequente.

O consumidor compra um produto conforme as suas necessidades - sejam elas premeditadas ou "criadas" - e conforme a capacidade desse produto em satisfazer essa necessidade. Depois tem em consideração o seu gosto pessoal, a qualidade intrínseca do produto, o preço do produto, o orçamento individual, entre outros factores.

É fácil utilizar alguns exemplos. Se eu pretendo - tenho essa necessidade - comprar um livro e estou perante um novo livro do José Saramago e outro do Paulo Coelho vou optar por um livro conforme o meu gosto pessoal e o preço do produto. Imaginemos que prefiro Saramago, pela qualidade intrínseca da sua escrita, pela imagem que o escritor conquistou, então vou optar, mesmo a um preço muito mais elevado, pelo produto nacional. Mas se eu detestar Saramago não vou comprar porque tem no código de barras a designação 560 e, se o comprar, vai ser uma compra fugaz, ou seja, que não vou repetir porque não vai satisfazer a minha necessidade e, logo, não vai fidelizar. Se eu não conhecer nenhum dos autores é importante que o produto pareça apelativo e que, após a necessidade de ler esteja criada ou após o produto conseguir induzir essa necessidade, crie uma fidelização. Para mim estas questões é que são realmente importantes - o preço do produto, a imagem do produto, a qualidade do produto - para tornar um produto competitivo.

Não vou dizer que o país não necessita de criar mercados para os seus produtos, claro que precisa, mas introduzir como critério a nacionalidade na compra dum produto só teria lógica se todos os produtos fossem indiferentes em todos os aspectos que realmente importam, ou seja, o preço e a satisfação da necessidade que proporciona. Assim sendo não passa duma boa intenção. Eu compro produtos nacionais por várias razões, nomeadamente, porque confio na marca, porque o preço é acessível, porque reconheço a sua qualidade, porque sou fiel a certas características que aprendi a apreciar, entre outras razões. Comprar por outras razões, como o critério da nacionalidade, um produto que vai ser mais caro ou que vai proporcionar menos satisfação é uma ideia sem "pernas para andar".

1 Comments:

  • At 6:09 da tarde, Blogger Tiago Alves said…

    Penso que a interpretação que muitas vezes se faz das intenções do 560 são erradas. Esta é uma delas.

    De facto, e como o próprio Ricardo diz, as pessoas compram um bem de acordo com as suas preferências. Tal escolha é influenciada por um sem número de factores, todos eles provavelmente descritos nas páginas de Kotler. O Ricardo enuncia o preço, a qualidade e a marca. Mas.. e a nacionalidade? Será que não pode ser também um factor?

    Não existirão muitas pessoas que, por várias e distintas razões, estão dispostas a pagar mais, a ter uma qualidade menor ou a confiar numa marca desconhecida por se aperceberem que o produto é produzido em solo nacional? Eu penso que existirão, quem sabe muitas, sobretudo quando aparecem aqueles notícias de fábricas a fechar.

    Assim, e como também refere e bem, o Movimento 560 pretende não só informar - já que a maioria das pessoas não saberia com certeza o que o 560 sinaliza, mas também criar a tal necessidade ou melhor, motivação para comprar nacional.

     

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