Filho do 25 de Abril

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segunda-feira, junho 13, 2005

452. Grão de Areia no Universo: Álvaro Cunhal



Os meus leitores habituais (e mais antigos) sabem que não tenho por hábito mudar de opinião sobre o trajecto das pessoas depois de morrerem só por esse facto, isto é, porque morreram. Eu admiro o Cunhal pré 25 de Abril mas nunca fui simpatizante do rumo que defendeu para Portugal. Reconheço a importância da sua obstinada luta contra o fascismo. Reconheço também que era um homem de ideais e que demonstrou uma coerência ideológica impressionante ao longo da sua vida. Aguns chamavam a isso convicção, outros cegueira.

Sobre o homem por detrás do político não me cabe a mim (d)escrever mas deixo a minha homenagem ao lado artístico de Cunhal... pelos seus desenhos, livros e intervenções várias no plano cultural que foram e são bem mais consensuais que o seu trajecto político.

14 Comments:

  • At 12:27 da tarde, Blogger O Micróbio said…

    "Deus seja misericordioso! Paz à sua alma!"

     
  • At 1:48 da tarde, Blogger Pedro F. Ferreira said…

    Admiro muito Álvaro Cunhal, particularmente a sua coerência e verticalidade. Abraço.

     
  • At 7:41 da tarde, Blogger SB said…

    Álvaro Cunhal era um português excelentíssimo. Tinha a inteligência, a coerência e a vontade de mudar que poucos políticos nacionais actuais querem assumir. Uma vida para relembrar!
    Paz á alma de todos os que não têm amor ao próximo...

     
  • At 11:04 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Micróbio...

    Acho que o Álvaro Cunhal não acreditava na alma. Mas compreendo que um católico deseje paz à sua alma.

    Um dia ainda havemos de discutir a primeira frase: "Deus seja misericordioso!".

    Abraço,

     
  • At 11:07 da tarde, Blogger Ricardo said…

    HMémnon...

    As palavras a sublinhar são exactamente essas, coerência e verticalidade! Adorei rever hoje a história de confrontos ideológicos entre ele e Mário Soares.

    Abraço,

     
  • At 11:10 da tarde, Blogger Ricardo said…

    SB...

    Obrigado pela visita! A comparação com os políticos actuais não é descabida, porque precisamos de quem não governe para o imediato e para as sondagens.

    Quanto à última frase parece-me enigmática...

    Abraço,

     
  • At 11:11 da tarde, Blogger Pedro said…

    Admirei a tua capacidade para não vergares às tuas convições numa reação à fatalidade.

    Um abraço

     
  • At 11:21 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Viva Pedro,

    Obrigado pela visita! Não tenho por hábito hostilizar ninguém mas também não gosto de ceder à tentação de fazer uma "higienização" ao percurso dum homem após morrer. Mas é curioso que muitas lendas nascem assim, em completa oposição ao que foi o homem, ficando na memória o esboço que os "sobreviventes" criam. Por exemplo será que a lenda criada à volta do ícone Che Guevara tem alguma semelhança ao homem?

    Abraço,

     
  • At 4:49 da tarde, Blogger O Raio said…

    Cunhal tinha uma qualidade que falta a quase todos os políticos, coerência.
    Tivesse ele apoiado aquilo que os estrangeirados chamavam "ventos de mudança" e outras coisas que tais, tivesse aderido a uma qualquer espécie de eurocomunismo e teria acabado no regaço dos oportunistas, cheio de dinheiro, beneses e medalhas.
    Mas, não, foi escandalosamente coerente, lutou até ao fim pelos seus ideais.
    Acho que merece o respeito de todos nós e, já agora, o meu pedido de desculpas por em 1975 me ter deixado embalar em cantos de sereia e ter ido votar em Mário Soares não me apercebendo de que este tinha uma agenda secreta, a subordinação do país às potências da Europa Central.
    Descansa em paz camarada

     
  • At 11:27 da tarde, Blogger Ricardo said…

    Raio,

    A coerência nas ideias e ideais é de louvar. Também concordo que podia ter retirado mais vantagens do Estado e não o fez. Mas os meus elogios terminam aqui...

    A tua terminologia em relação à UE extremam-se dia após dia. Da atitude euro céptica passaste a ter um ódio quase irracional (pelo grau de grandeza da terminologia) à UE. Cuidado que isso pode afectar o teu discernimento.

    Abraço,

     
  • At 1:12 da manhã, Blogger O Raio said…

    Caro Ricardo,

    A minha opinião sobre a UE é cada vez pior porque está a acontecer tudo o que eu previa já desde 98 ou 99 (pelo menos).
    É-te provavelmente difícil imaginar o horror que se sente quando há sete ou oito anos prevês uma desgraça para mim, para ti e para todos, para o país, em suma e depois veres todos os bem pensantes garantirem sempre que estás errado mas entretanto vais vendo as tuas previsões a avançar inexoravelmente para a desgraça final que também previstes.
    Se estou bem disposto, é como o outro, até posso dizer alguma piada, mas quando estou mal disposto confesso sentir um ódio irracional a todos estes traidores que estão a enterrar o país.
    Acho que dificilmente me podes compreender. Tu achaste que ía correr tudo bem e, se estão a correr mal agarras-te á ideia que é uma situação provisória pois, amanhã, o sol brilhará para todos nós...
    Eu não, eu é como se visse um filme de terror e depois, quando saísse da sala de cinema descobrisse que afinal o filme não era ficção, era previsão...

    Um abraço,

     
  • At 10:49 da manhã, Blogger Ricardo said…

    Raio,

    Não quero nem vou colocar em qusetão o que sentes no teu íntimo mas há algo que nos separa radicalmente. Como tive oportunidade de comentar no post 449. eu não vivo num filme de terror nem o vejo em lado nenhum. Vejo muitas dificuldades e muitas dúvidas, até muito ponto a alterar, mas longe duma visão apocalíptica. Com certeza já viveste tempos bem piores...

    Abraço,

     
  • At 2:21 da tarde, Blogger José Alexandre Ramos said…

    (...) Eu admiro o Cunhal pré 25 de Abril mas nunca fui simpatizante do rumo que defendeu para Portugal.(...)deixo a minha homenagem ao lado artístico de Cunhal... pelos seus desenhos, livros e intervenções várias no plano cultural que foram e são bem mais consensuais que o seu trajecto político.

    Ao afirmares isto, vê o quanto te contradizes. Achas que as acções do "Cunhal pré 25 de Abril", e os livros que escreveu, estão dissociados com o que ele queria para o país? Não. Tudo apontava para o mesmo rumo, tudo tinha a mesma intenção. Vê lá: é ou não é assim?

    Abraço

     
  • At 5:29 da tarde, Blogger Ricardo said…

    José...

    Não me fiz entender! Eu posso não concordar com as ideias políticas de alguém mas posso admirar a sua obra literária não por aquilo que defende mas pela qualidade da escrita ou do relato.

    Por exemplo... eu abomino tudo o que Franco representou mas, só por isso, não vou deixar de achar bonito Santa Cruz del Valle de los Caídos, sua obra emblemática!

    Nota: não estou a comparar Franco a Cunhal.

    Abraço e obrigado pela visista,

     

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