Filho do 25 de Abril

A montanha pariu um rato - A coerência colocada à prova - A execução de Saddam Hussein - O Nosso Fado - "Dois perigos ameaçam incessantemente o mundo: a desordem e a ordem" Paul Valéry, "Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa, salvar a humanidade", Almada Negreiros - "A mim já não me resta a menor esperança... tudo se move ao compasso do que encerra a pança...", Frida Kahlo

segunda-feira, abril 02, 2007

1063. Em DVD: Prison Break - Season 1



Prison Break (Fuga da Prisão) é actualmente uma das séries de maior sucesso da caixa mágica nos EUA. A ideia que dá corpo à série é original - um homem provoca a sua própria prisão de modo a protagonizar uma fuga que permita salvar o irmão da execução na cadeira eléctrica - e o pormenor da planta da prisão estar literalmente tatuada no corpo do detido é delicioso. Prison Break é facilmente identificável com a estação que o produz já que a Fox (24) começa a ser especialista em séries ligeiras de acção com um visual muito profissional e com actores de indiscutível qualidade, séries essas que, invariavelmente, têm uma pitada de conspiração política. É uma série com imensos pormenores de suspense inteligente e com um ritmo bastante frenético.

Mas agora que já esgotei os elogios à série passo à enumeração das imensas fragilidades da mesma. À semelhança do que acontece com o 24 é preciso uma certa habituação à distorção da realidade em prol do entretenimento e, mesmo após ultrapassarmos essa fase, é irritante a forma como as situações são forçadas e manipuladas para atingir esse fim. Adicionalmente a conspiração que concentra todo o destaque das cenas fora da prisão é chapa batida e desinteressante e mesmo as cenas dentro da prisão seguem uma fórmula repetitiva e diria que inconsequente (o pico dramático dum episódio é um acontecimento sem importância dois episódios depois), e acrescento que se só visse o primeiro e último episódio perdia muita tensão mas não ficava diminuído na compreensão do que se passa no enredo. Finalmente acrescento que há um excessivo número de personagens que não têm dimensão dramática e que se resumem a um esboço ou uma caricatura com a agravante de que a muitos destes foi-lhes dado um enquadramento moral simplista (o ladrão íntegro que só rouba o necessário para dar um "mimo" à namorada, o veterano de guerra do Iraque que se perdeu na vida após denunciar torturas a prisioneiros) ou que são meros clichés (a médica que quer fazer a diferença, o mafioso, o velho que tem uma fortuna enterrada, o pedófilo).

Em suma é uma série com um bom ritmo de acção e suspense, com um visual irrepreensível e com bons actores mas sem densidade dramática, com excesso de lugares comuns e com uma fórmula repetitiva.

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domingo, fevereiro 25, 2007

1021. Em DVD: Rome - Season 1


Se eu disser que esta série é HBO então é um lugar-comum dizer que tem qualidade. Mas, e com todo o mérito, não é demais salientar a qualidade individual deste projecto. Apesar de ser uma produção para a caixa mágica podia ser perfeitamente uma produção para a Sétima Arte já que a recriação dos cenários é feita a uma escala monumental - nos estúdios Cinecittà, precisamente em Roma - o que é o mesmo que dizer que a aposta financeira é visível em cada cena de Rome. Mas o que realmente impressiona em Rome não são os cenários mas a agilidade da história que tem um ritmo deveras impressionante e que cobre, em 12 episódios, eventos como a guerra com os Gauleses, a luta fratricida entre Pompey Magnus e Julius Caesar, a subida ao trono de Cleópatra, o fenómeno dos gladiadores ou a intriga entre o Senado e Julius Caesar. E é também necessário realçar a qualidade da caracterização das personagens e a forma como não há concessões comerciais que comprometam a história (a história com h e com H). É preciso dizer mais?

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sábado, fevereiro 17, 2007

1003. Em DVD: 24 - Season 5


Jack Bauer (Kiefer Sutherland) é um agente da CTU (Counter Terrorist Unit) que combate, de forma heróica e patriótica, os inimigos da pátria com todos os métodos à sua disposição - e mais alguns. Ficção? Talvez. Esta série, a preferida dos Republicanos nos EUA, é puro espectáculo televisivo. Aqui não interessa a coerência da reacção das personagens nem o rigor da história mas, pura e simplesmente, e de forma extremamente profissional, interessa fazer uma série de acção que não deixe ninguém recuperar o fôlego de episódio para episódio. E, como série de acção, e só isso, é das melhores que já foram feitas na caixa mágica.

24 retrata um dia na vida daquele que é provavelmente o último herói americano à antiga, Jack Bauer , e cada episódio representa uma hora desse dia. O objectivo é dar a sensação de que tudo se passa em tempo real e não quebrar o ritmo da acção em nenhum momento e por nenhuma razão. Esta temporada, a quinta, está bem conseguida e os traidores da nação mais nobre do mundo - consegui escrever esta frase sem rir - são os mais impensáveis mas nada, nem ninguém, pode prejudicar os valores sublimes com que os EUA foram criados e ficar impune - agora já não aguentei e esbocei um sorriso. Visto através deste ponto de vista fiquei sem perceber porque é que gosto tanto desta série...

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sexta-feira, fevereiro 09, 2007

996. Em DVD: Six Feet Under - Season 5


Six Feet Under é, seguramente, com o devido desconto que deve ser dado à subjectividade do gosto de cada um, uma das melhores séries de televisão alguma vez feitas. Com a marca de qualidade da HBO e de Alan Ball (American Beauty), esta série acompanha(va) a vida (e a morte) duma família que herdou uma casa funerária quando o patriarca morreu de forma súbita. Retratar a rotina duma casa funerária em televisão é um desafio gigantesco - não é habitual dissecar a morte na televisão - mas, após cinco temporadas, o desafio foi transposto com distinção. A morte é a consequência natural de estarmos vivos e nunca estamos preparados para a sua chegada. A morte é, também, um fenómeno completamente aleatório que nos colhe de qualquer maneira e em qualquer lugar e, no limite, apanha-nos sempre. É com naturalidade que a série "transporta" a morte para os nossos sofás e ensina-nos que esta não nos pode impedir de viver por mais injusta que pareça a forma com que ela aparece a quem nos é próximo ou por mais apavorados que estejamos com a sua eventual chegada. É também um exemplo da tolerância que devemos ter perante as múltiplas formas de luto.

Ao longo de cinco temporadas Six Feet Under reuniu excelentes actores e conciliou isso com excelentes caracterizações. O teatro da vida de cada uma destas personagens foi sempre envolvente e mesmo alguns dos temas mais polémicos foram tratados com sensibilidade e naturalidade ímpares. Não foi assim difícil criar uma enorme empatia com os problemas que foram surgindo a cada uma das personagens e, no fim, é difícil que estas deixem de ser presença regular na caixa mágica. Como tudo na vida tem um fim e Six Feet Under não é excepção a quinta temporada foi a última. Não só o último episódio (escrito e realizado por Alan Ball) é perfeito como também a quinta temporada, no seu conjunto, rivaliza com a primeira como sendo a melhor temporada desta série.

Everything. Everyone. Everywhere. Ends.

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995. Em DVD: Nip/Tuck - Season 3

Nip/Tuck é uma das séries mais controversas da televisão nos EUA. A série conta as desventuras de dois cirurgiões plásticos, Sean McNamara (Dylan Walsh) e Christian Troy (Julian McMahon), num mundo que, para obter a imagem perfeita, vale tudo (qualquer semelhança com a realidade é a mais pura das coincidências). Cada episódio aborda um caso que desafia todas as fronteiras morais e, frequentemente, as intervenções destes cirurgiões são politicamente incorrectas.

A terceira temporada tem alguns episódios memoráveis mas, quer pela expectativa criada nas temporadas anteriores quer por inúmeras falhas de continuidade narrativa, fica muito aquém das anteriores. Esta série tem uma componente narrativa que se encerra em cada episódio e outra que funciona como um arco e que acompanha as personagens durante toda a temporada. É esta última que é decepcionante quer pela sua inconsistência quer pelas surpresas mal fundamentadas (o truque para lançar surpresas numa série ou filme não são estas acontecerem como se caíssem, de repente, de pára-quedas mas sim deixar pistas, que na altura até são inconsequentes, para construir uma surpresa credível). Apesar de tudo recomendo o visionamento desta série.

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sexta-feira, outubro 06, 2006

916. Em DVD (séries de tv): V - The Mini Series; V - The Final Battle







Estar a rever uma série da “infância” tem sempre o risco associado de estar a matar uma memória. E não há nada mais importante do que as míticas memórias de infância...

Quantos, entre nós, já ficaram desiludidos ao rever o MacGyver, o A-Team ou o Knight Rider? O nosso imaginário prega-nos partidas e o que um dia foi por nós endeusado e guardado na nossa memória dourada é hoje um produto banal da época em que foi transmitido. Mas, felizmente, há excepções e este V – The Mini Series e V – The Final Battle sobrevive à erosão do tempo com dignidade. Os efeitos especiais estão datados, as personagens têm pouca densidade e o enredo é simplista mas, mesmo assim, é um produto que não envergonha.

V conta a história do primeiro contacto dos terrestres com seres de outros planetas – os Visitantes. Os nossos “amigos” alienígenas prometem o céu e a terra mas, por baixo da superfície, escondem-se répteis sedentos pelos recursos do planeta e, tal como nazis inter planetários, subjugam os habitantes da Terra a uma nova era de fascismo. Os humanos, claro, formam uma resistência feroz aos répteis e embarcam numa luta épica pela liberdade. Querem melhor? ;)

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quinta-feira, outubro 28, 2004

(215) Six Feet Under, Second Season


Six Feet Under Posted by Hello

A Série: A HBO revolucionou a forma de fazer séries nos Estados Unidos da América. E Six Feet Under é a prova cabal que é possível fazer televisão com qualidade. Quanto à segunda temporada era inevitável que a qualidade da série caísse um pouco mas cada episódio continua a anos luz em qualidade de todas as outras séries que são exibidas actualmente. Aqui há personagens tridimensionais, não bonecos maquilhados com lugares comuns e caricaturas exageradas da realidade.


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Ruth Fisher (Frances Conroy): Todas as mulheres desta série têm um ar ausente e esta não é excepção, o que não quer dizer que não esteja presente. E que presença! A busca desta mulher por um novo papel no mundo é emocionante. Só o facto de estar a tentar, independentemente da solidão, é um forte sinal que está viva no sentido menos literal da palavra (não está só a respirar).


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Nate Fisher (Peter Krause): Nesta temporada esta personagem vive um desafio intenso. A morte aperta o cerco e Nate é obrigado a lidar com ela. A ironia é que vive rodeado de morte e nem assim ela torna-se mais fácil, apenas mais natural.


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David Fisher (Michael C. Hall): Na primeira temporada tinha de lidar com a sua sexualidade, agora apenas tem os problemas que todos têm, ou seja, tenta ser feliz. Curiosa a serenidade que tem nesta temporada em oposição ao David completamente perdido da anterior temporada.


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Claire Fisher (Lauren Ambrose): A minha personagem favorita. É impossível descrever as suas expressões e formas de estar. Tem uma presença quase etérea com uma visão do mundo muito original. A forma como interage com a mediocridade e o embaraço fazem dela uma personagem única. Nesta temporada faz uma busca interior da sua vocação da forma peculiar que já nos habituou.


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Brenda Chenowith (Rachel Griffiths): Esta é a personagem mais difícil de descrever. Forte e insegura, meiga e distante, livre e dependente. O seu olhar tanto é um livro aberto como um sarcófago inviolável. As mulheres nesta série quebram tabús, são intensas e representam uma nova luz na forma como são encaradas na Televisão (e também no cinema).


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Nathaniel Fisher (Richard Jenkins): O morto que continua a exercer a sua influência. Aqui prova-se que há "vida" após a morte através da eterna influência na vida das pessoas que tocamos em vida, e a todas que estas também tocam. O único tipo de eternidade que conheço.

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terça-feira, maio 18, 2004

(52) DVDteca Ideal: Six Feet Under, First Season

“Six Feet Under” no original ou “Sete Palmos de Terra” em português é uma série de Televisão Norte-Americana (do excelente canal por cabo HBO) que acompanha a vida duma família ligada ao negócio da morte (Agência Funerária). Parece quase impossível, no panorama actual, fazer-se uma série com estes níveis de qualidade. Normalmente uma série tem, no máximo, uma ou duas personagens bem caracterizadas. Nesta série todas as personagens são credíveis, densas e imprevisíveis.

O tema central, a morte, é tratado com realismo e sem sentimentalismos gratuitos. Tudo isto é “cozinhado” com fantasia e actualidade q.b.. Posso afirmar, com segurança, que desta série saem personagens já com direito a se eternizarem na galeria das personagens históricas da Televisão.

Não acompanhava com regularidade a série na RTP2 (ou “a dois” ou “2:” ou “qualquer coisa com dois” se já mudaram outra vez). Nos dias de hoje o DVD permite acompanhar uma série de outra forma. Permite-nos ver e retomar ao nosso ritmo! Dá ainda outra percepção dos detalhes, pormenores e subtilezas das séries. Se a série fôr de baixa qualidade também revela com mais facilidade as suas fraquezas.

A Televisão está numa crise de ideias e qualidade! Tudo é demasiado mastigado sem espaço para a reflexão. “Six Feet Under” (juntamente com séries como “Sopranos” ou “24”) dá uma lufada de ar fresco a todos os que querem sentir ou pensar enquanto assistem à caixa mágica. Nós, como sempre, somos os responsáveis pelo grau de qualidade da programação que reflecte o nosso grau de exigência! Sejamos exigentes, por favor!

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